segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Tudo o que você precisa saber sobre candidíase

O que é?

A candidíase vulvovaginal é uma infecção comum que ocorre quando há crescimento anormal do fungo chamado Candida sp. Embora a Candida esteja presente em algumas mucosas do corpo em pequenas quantidades (ex: vagina, intestino, cavidade oral), eventualmente ocorre um desequilíbrio e ela se multiplica. Exemplos: quando a vagina está mais ácida do que o normal, em caso de desequilíbrio hormonal e baixa imunidade.

A candidíase é a segunda infecção vaginal mais frequente, só inferior à vaginose bacteriana, sendo que ¾ das mulheres adquirirão a infecção em alguma fase da vida.

Pesquisa por nós efetuada no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais mostrou que cerca de 20% das mulheres tinham candidíase. Destas, cerca de ¼ apresentavam a moléstia por Candida não-albicans, que é uma espécie de Candida mais resistente.

Quais são os sintomas?

Os mais comuns são: coceira, ardor, vermelhidão na vulva, dor ou incômodo na relação sexual e corrimento tipo “nata de leite”.
O homem tendo contato com uma mulher com candidíase poderá sentir coceira, vermelhidão e ardor no pênis.


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Como se “pega“ a candidíase?

A candidíase não é considerada uma Doença Sexualmente Transmissível, ou seja, a não ser em raríssimos casos ela não é transmitida entre os parceiros. O homem dificilmente é portador da Candida. No entanto, na fase aguda da candidíase é conveniente evitar-se relações sexuais. Sendo assim, a infecção por Candida poderá surgir por um supercrescimento induzido por algumas condições:

- Uso de antibióticos
- Uso de corticóides
- Uso de roupas apertadas e sintéticas
- Imunodeficiências: ex: AIDS. Lembramos que o estresse crônico também pode baixar a resistência     e as defesas naturais do organismo
- Gravidez
- Uso de hormônios
- Excesso de relações sexuais


Como se previne a candidíase?

Tudo que evite as condições acima citadas evitará o a multiplicação da Candida e o surgimento da candidíase. Um dos fatores mais comuns hoje em dia é o uso de roupas inadequadas: calça jeans, calcinhas de tecido sintético, legs. Nas praias também é comum o uso de biquínis de tecido sintético, apertados e que ficam úmidos e usados por longas horas. É por isso que muitas pessoas que voltam das praias apresentam candidíase, além do fato da areia da praia conter esporos (sementinhas) da Candida, que contaminarão as mulheres alguns dias após o contato.

Como se trata a candidíase?

Hoje em dias existe um número enorme de medicamentos por via oral e cremes vaginais com boa ação sobre a candidíase. O tratamento varia de um a sete dias. O índice de cura chega a 80% dos casos. É importante a abstinência sexual durante sete dias.
O tratamento deve ser baseado num diagnóstico preciso, por que muitas vezes outras doenças apresentarão sintomas parecidos e o tratamento não surtirá efeito.
O parceiro na maioria das vezes não precisará de tratamento, a não ser se ele apresenta irritação peniana.

Por que a candidíase reaparece com frequência?

Algumas mulheres apresentam recorrência (+ de três episódios por ano). Muitas destas são por continuarem apresentando os fatores predisponentes. Outras por apresentarem a Candida não-albicans, que, como já foi escrito acima, é mais resistente do que a Candida albicans, a espécie mais comum. Outras apresentam um tipo de alergia, que faz com que tenham sintomas, mesmo sem um supercrescimento do fungo.
Estes casos merecem um estudo mais aprofundado para um tratamento mais adequado.

Palavras chaves: candidíase, Candida, infecção vaginal, candidíase vaginal.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Ginecologia - UFMG
Mph (Master in Public Health) - Harvard University


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