sábado, 26 de janeiro de 2013

O Mirena® é caro?


A escolha de um método anticoncepcional depende de muitos fatores, tais como a eficácia, os efeitos colaterais, as contra-indicações, o conhecimento do mesmo pela mulher e também, muitas vezes, o custo do mesmo. É nesse ponto que muitas vezes a potencial usuária se confunde, apenas levando em conta o investimento inicial e não o total, que engloba a soma de anos de uso do método. Sendo assim, aparentemente, o custo do DIU de cobre ou o Mirena® é maior que outros métodos tais como pílula, injetáveis, entre outros. Mas, vários estudos mostram que ao contrário que parece, o custo do DIU e do Mirena é menor que qualquer outro método, tanto para as que colocam “particulares” ou para os planos de saúde, se for considerado o uso estimado de cinco anos. Se considerar uma pílula que custe R$ 30,00 por mês, isto significará cerca de R$ 360,00 por ano x 5 = R$ 1800,00. O custo do Mirena (cerca de R$ 700,00) + a inserção não chega a este valor. E olhe que tem barato que fica caro…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Câncer do colo do útero: qual sua importância na vida das mulheres?

Sua importância sobrevém principalmente da sua ainda alta incidência (número de novos casos/ano) na população feminina: cerca de 20 mil novos casos por ano no Brasil. Isto significa um risco estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o segundo mais comum no Brasil, atrás apenas do câncer de mama, que incide em cerca de 50 mil mulheres por ano.

Sabe-se que para o surgimento do câncer do colo do útero a condição necessária é a presença de infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV). Aproximadamente todos os casos do câncer do colo do útero são causados por um dos tipos de alto risco do HPV. Destes os mais comuns são o HPV16 e o HPV18. Outros fatores que contribuem para a etiologia deste tumor são o tabagismo, baixa ingestão de vitaminas, imunodeficiência, multiplicidade de parceiros sexuais e iniciação sexual precoce.

O HPV é transmitido durante a relação sexual e por este e outros motivos o sexo seguro, com o uso do preservativo masculino ou feminino é sempre recomendado. Hoje também já estão disponíveis as vacinas bivalentes ou quadrivalentes contra o HPV. Elas devem ser aplicadas, de preferência, antes que a menina tenha a primeira relação sexual. Embora elas ainda não estejam disponíveis na rede pública, recomenda-se fortemente sua utilização, visando um benefício futuro.

No entanto, não há motivo para pânico quando muitas mulheres ficam sabendo serem portadoras do vírus. Existem dezenas de tipos de HPV e só alguns são de alto risco. Alguns só causam apenas pequenas verrugas na pele e outros o Condiloma Acuminado, popularmente conhecido como “crista de galo”, que ocorre nas regiões genitais ou anais de homens e mulheres. Este é uma doença venérea antiga, desagradável, anti-higiênica e muito contagiosa, porém não leva ao câncer.

O exame rotineiro das mulheres pode leva-las ao diagnóstico de lesões precursoras causadas pelo HPV, chamadas muitas vezes de “manchas” no colo do útero. Na presença destas lesões e ajudado pelo exame de Papanicolaou (citologia), pela colposcopia (exame ótico para aumento da visualização das lesões), pelo exame anátomo-patológico da lesões retiradas por biópias e eventualmente pelo exame do DNA de células (captura híbrida), o médico tem condições de atuar de várias formas, prevenindo uma possível evolução para o câncer do colo do útero.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Mirena® engorda?

Um dos problemas mais importantes e também mais controversos na nossa vida é o ganho de peso e a consequente obesidade e suas consequências. É um assunto extremamente complexo que envolve inúmeros fatores que se entrelaçam e afetam a nossa saúde: ingestão excessiva de alimentos (calorias), absorção dos alimentos, a falta ou deficiência de atividade física, o metabolismo individual, distúrbios hormonais, e por aí vai. No entanto, muitas vezes se esquece de que o ser humano foi desenvolvendo ao longo dos milênios uma alta capacidade armazenamento de energia (gordura). Só assim nossos antepassados sobreviviam a longos dias sem caça, alimentando-se apenas de pequenos frutos e sementes. Pela seleção natural, os melhores nesta capacidade sobreviveram e nós herdamos geneticamente este fator. Acontece que hoje a alimentação é geralmente farta -- embora não necessariamente saudável -- e a atividade física diminui cada vez mais. Resultado: as calorias sobram e vão se transformar em gordura, que é o melhor meio para seu armazenamento. A expectativa de vida também aumentou demais, já chegando aos 80 anos. A mulher sobrevive décadas após a menopausa e fica sujeita a inúmeras doenças que suas ancestrais nunca teriam. Na pré-história a expectativa de vida era de 30-40 anos. Poucos chegavam a mais do que isso. Não dava tempo de ter osteoporose, a maioria dos cânceres, artrose e obesidade...Hoje esta última pode ser já considerada uma epidemia mundial, ameaçando a saúde e bem estar de bilhões de pessoas.

E o Mirena®, como é que fica? Nós sabemos que determinados hormônios podem afetar o metabolismo, predispondo à perda ou ganho de peso. O DIU hormonal (Mirena®) libera o hormônio levonorgestrel (parecido com a progesterona) em doses entre 10 e 20mcg/24h, na cavidade uterina, durante cinco anos. Não libera estrogênio. Só para comparar, as pílulas mais vendidas do Brasil têm 150 mcg de levonorgestrel por comprimido, além de um estrogênio. Por isso, a dose liberada pelo Mirena® é considerada  mínima e além do mais, apenas uma pequena parte é absorvida pelo organismo, caindo na corrente sanguínea. Dessa forma, a maioria dos estudos não mostra um aumento de peso além do que é observado nos grupos de controle. É importante entender que os estudos científicos têm que ter estes grupos de controle, cujos componentes são similares ao grupo de estudo em tudo (faixa etária, sexo, hábitos, alimentação, etc) exceto no fator que está sendo analisado, no caso: o Mirena. Ah, mas minha vizinha engordou 3kg, fulana 4kg...! Isto não vale. Não foram controladas. Não se sabe que hábitos foram modificados, que alimentos ingeriram, se fazem atividade física regular e o MAIS importante: os anos se passaram. Isto mesmo. O tempo é cruel para a maior parte das pessoas, especialmente quanto ao ganho de peso. Uma determinada mulher que se casou há quatro anos poderá observar que neste período pode ter ganho alguns quilinhos. Provavelmente ela estará usando uma pílula e esta será erradamente considerada a "culpada". Se nossa amiga observar, a poucos metros dela achará o marido com uma bela cintura e também seus quilos a mais. 

É triste, mas é a realidade. Enfim, Mirena® não engorda, a vida sim...