domingo, 12 de junho de 2016

O que fazer em caso de esquecimento de pílula anticoncepcional?


O esquecimento de tomar a pílula é um dos problemas mais comuns entre suas usuárias. A consequência deste fato, muitas vezes, é uma gravidez indesejada. Nos EUA 15% das usuárias relatam esquecimento de tomar uma pílula e 13,3% relataram ter esquecido duas ou mais pílulas nos três últimos meses de uso. Ou seja, cerca de ¼ das usuárias de pílula apresentaram uso irregular das pílulas anticoncepcionais. Estes números variam de acordo com a idade, o estado civil, e a motivação da mulher, entre outros fatores. No Brasil os números devem ser parecidos ou até piores.

Você deve saber como proceder nestes casos.

Primeiramente leia cuidadosamente a bula da pílula e siga as instruções. De um modo geral, para as usuárias de pílulas combinadas (aquelas que têm dois hormônios) não haverá maiores problemas se o esquecimento for de até 12 horas. Tome a pílula ao lembrar-se e tome a próxima no horário habitual.
Se o esquecimento for de 24 horas, ou seja, ao tomar uma pílula a usuária verificar que não tomou a do dia anterior, tome as duas num intervalo de 1-2 horas para evitar enjoos. Nestes casos – SE NÃO ACONTECER NO INÍCIO DA CARTELA – a probabilidade de ovulação é baixa.

Já no esquecimento de 2-3 dias a usuária pode continuar tomando a pílula apenas para não sangrar fora de época, mas a proteção contraceptiva estará prejudicada. Usar preservativo até acabar a cartela.. Se acontecer na última semana da cartela, a usuária pode emendar uma cartela na outra. Nesse caso irá “menstruar” apenas quando terminar a segunda cartela.
Pilulas-desenho
Lembre-se!

· Os casos de esquecimento de tomar a pílula são mais frequentes que se imagina e podem levar a uma gravidez e muitas vezes a sangramentos tipo “mancha” ou “borra de café”.

· Caso os esquecimentos se repitam, pensar em trocar para um método de longa duração, como os injetáveis, o DIU, o implante, ou então, o anel vaginal e o adesivo. Converse com seu médico sobre estas possibilidades.

· Ao contrário do que se pensa, o PIOR esquecimento não é no meio da cartela e sim no seu início. Ou seja, se a usuária esquecer uma ou mais pílulas da cartela subsequente ao intervalo de descanso, estará correndo um sério risco de ovulação e gravidez.

· Se o esquecimento ocorrer na usuária de pílula só de progesterona (mini-pílula) o risco de falha é ainda maior.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, esquecimento, mini-pílula.

Dr. Antônio Aleixo Neto












terça-feira, 7 de junho de 2016

Cinco fatos sobre a candidíase


O que é?


Candidíase é a infecção causado pelo fungo Candida e é uma das queixas mais comuns por parte das mulheres. Depois da vaginose bacteriana a candidíase é a infecção vaginal mais frequente e tem sido observado um aumento gradativo nos últimos anos.
É preciso lembrar que esse fungo faz parte da flora normal da vagina e está presente também no trato intestinal e na cavidade oral.  A cavidade vaginal é colonizada não só pelos fungos, mas também por diversas espécies de bactérias que vivem em harmonia e mantendo os mecanismos de defesa adequados para se evitar infecções. Por diversos motivos ocorre um desequilíbrio nesta flora e a candida se sobrepõe aos outros germes.
A candidíase vulvo-vaginal é muito mais frequente na idade reprodutiva (15 – 49 anos) sendo rara em crianças e na pós-menopausa, isto por que ela exige níveis altos de estrogênio. Cerca de 10 - 20% das grávidas apresentam a doença.
Esporos de candida

A candidíase é sexualmente transmissível?


Embora a candidíase vaginal esteja relacionada de alguma forma à atividade sexual ela não é considerada sexualmente transmissível e geralmente o parceiro não precisa ser tratado, a não ser sintomaticamente.

Quais são os sinais e sintomas?


São típicos: coceira, ardor, vermelhidão da vulva, fissuras, dor ao urinar e na relação sexual e corrimento esbranquiçado, às vezes se parecendo com nata de leite.

O que pode causar a candidíase?

Fatores predisponentes

Uso de antibióticos – os antibióticos podem levar à destruição da flora vaginal normal, possibilitando o crescimento da Candida. É muito comum verificarmos uma mulher que foi tratada de infecção urinária ou sinusite, por exemplo, apresentarem os sintomas da candidíase dias ou semanas depois.

Diabetes – leva a alterações metabólicas que podem favorecer o crescimento dos fungos.

Vestuários – o uso de roupas justas, tecidos sintéticos e jeans pode dificultar a transpiração, aumentar o calor e umidade local e favorecer a multiplicação dos fungos além de promover a recorrência da candidíase. Dificilmente se conseguirá uma resposta satisfatória ao tratamento da candidíase crônica sem a mudança de hábitos de vestuário.


Corticoides – diminuem a resistência e assim facilitam o aparecimento da candidíase e outras infecções.

Anticoncepcionais – hoje em dia as pílulas são de dose baixa e têm pouca influência no aparecimento da candidíase.

Hábitos sexuais – o excesso de relações sexuais pode favorecer o surgimento da candidíase, seja por trauma, seja pela ação de componentes do sêmen do parceiro. A falta de lubrificação também favorece a candidíase.

Gravidez – devido aos altos níveis hormonais ocorre uma predisposição à candidíase.

HIV positivo – causa diminuição da imunidade e predisposição acentuada à candidíase, inclusive em outros órgãos.

Hábitos alimentares – a dieta chamada de ocidental é baseada em muitos condimentos, aditivos, açucares, massas - entre outros alimentos - que são acusados de favorecerem a candidíase e outras doenças. Por outro lado, óleo de coco, alho, canela, gengibre e cravo-da-índia são considerados antifúngicos.


Distúrbios emocionais -  a depressão e o estresse são fatores que podem baixar a imunidade e predispor à candidíase.


Por que ocorre a Candidíase recorrente ou crônica?


Atingindo de 5 a 10% das mulheres, causa muito incômodo e desconforto entre essas mulheres. Só é considerado recorrente quando ocorre pelo menos três episódios no período de um ano.
As causas mais aceitas são o aumento de cepas mais resistentes de Candida (Glabratta, Tropicallis) ao invés da Candida albicans, que é mais sensível aos tratamentos convencionais. Também hábitos de vestuário, uso exagerado de antibióticos, dieta e fatores alérgicos são considerados como causa da recorrência da candidíase.
Enfim, na candidíase crônica a mulher deve fazer uma reflexão sobre sua parte emocional, hábitos alimentares, vestuário, hábitos sexuais e de higiene, senão ficará sujeita a apenas tratar com antifúngicos repetidamente, sem que consiga uma cura efetiva.

Palavras-chave: candidíase, candida, fungo, flora vaginal, antibióticos, candidíase recorrente.

Prof. Antônio Aleixo Neto