quinta-feira, 23 de maio de 2019

Quem “inventou” a pílula?


Gregory Pincus. Só para se ter uma ideia, ele é considerado como uma das 100 maiores personalidades da história, junto com: Einstein, Cristo, Confúcio, Colombo, Aristóteles, Maomé, Augusto César, Tomás Edison, Beethoven, São Paulo, Mendel, Calvino e tantos outros líderes religiosos, políticos, guerreiros, cientistas e políticos. Todos exerceram – bem ou mal - uma extrema influência para a história. Apesar de não ser muito conhecido, Pincus exerceu mais influência na humanidade do que vários personagens de fama mundial.


Ele desempenhou um papel importante no desenvolvimento da pílula anticoncepcional, na década de 60 do século XX. Graças à pílula anticoncepcional – pela primeira vez na história – a mulher pode efetivamente controlar sua fertilidade, sem depender do seu parceiro. Isso não foi pouco. Seu efeito na mudança dos hábitos e da moral sexual é inegável, embora muita gente hoje não tenha consciência disso. De repente, as mulheres podiam ter relações sexuais sem medo de engravidar, e essa nova circunstância provocou uma mudança tanto em sua liberdade, quanto em seu comportamento.

Hoje existem centenas de milhões de mulheres que utilizam a pílula anticoncepcional por todo o mundo. É interessante constatar que além do efeito anticoncepcional, a pílula tem diversos efeitos benéficos além da contracepção. Veremos isso em outra postagem.


É de se ressaltar que o pioneirismo pelos movimentos de Planejamento Familiar foi encabeçado por duas mulheres: a enfermeira e ativista Margaret Sanger, americana e Elise Ottesen-Janssen, norueguesa, na década de 40/50. Lutaram firmemente, contra a opinião pública fortemente machista, da época. Lutaram pelo direito de todos os casais e indivíduos de tomar decisões sobre seu comportamento reprodutivo e o direito de ter informação, educação e serviços exigidos para regulação da fertilidade.

O surgimento da pílula anticoncepcional na década de 60 facilitou em muito esse movimento, que culminou quando a Conferência sobre Direitos Humanos da ONU, aprovou a declaração de Teerã, incluindo o Planejamento Familiar como direito humano.

A contradição que nós vemos hoje é que muitas feministas e outras ativistas combatem o uso da pílula anticoncepcional, como se fosse um grande perigo: tem hormônios, causa isso ou aquilo, é um “veneno” etc. 

E a trombose?

Certamente muitas pessoas leem artigos ou postagens sobre mulheres que tomam a pílula oral combinada e desenvolvem coágulos sanguíneos. Não vamos demonizar a pílula. É bom lembrar que não existe medicamentos ou produtos isentos de risco. A questão é colocar na balança.

Uma trombose venosa é um coágulo na veia, geralmente diagnosticado na perna, onde pode causar dor, inchaço e descoloração. Esses coágulos podem se desalojar e viajar pela corrente sanguínea até o pulmão, resultando em embolia pulmonar. Esses eventos são denominados coletivamente de tromboembolismo venoso (TEV).


Muito ocasionalmente, pode ocorrer um coágulo nas grandes veias que levam o sangue para longe do cérebro. Isso é conhecido como AVC e é geralmente grave.

As estimativas do risco de tromboembolismo venoso, entre usuárias de pílula variam entre 1,5 a 7 vezes mais chances de apresentarem um TEV do que pessoas que não usam contracepção hormonal.  
Embora este seja um grande aumento relativo, o número de pessoas afetadas ainda é pequeno. Por exemplo, em um grande estudo usando sistemas de registros de saúde dinamarqueses, a taxa de TEV foi de cerca de 4 em cada 10.000 mulheres que não usam qualquer forma de contracepção hormonal por ano. Em comparação, a taxa entre as usuárias de pílula na mesma faixa etária foi de cerca de 4 a 16 por 10.000 por ano, dependendo do tipo de pílula.
Já o risco de TEV na gravidez e o período pós-parto é muito maior, de cerca de 40 a 65 em cada 10.000 pessoas após o parto por ano.

Contextualizando o risco

É crucial explicar um pouco sobre risco relativo. Ouve-se falar ou se lê que algum medicamento aumenta o risco em 20% de algum efeito adverso. Um certo número de pessoas vai interpretar de maneira errônea que 20% de todos usuários desse medicamento adquirem este efeito adverso. Isto é completamente errado.

Embora devamos tomar medidas para impedir que isso aconteça, o risco real de morrer depois de desenvolver um coágulo é muito baixo. De cada um milhão de mulheres que usam a pílula, estima-se que entre três e dez mulheres morram a cada ano como resultado de eventos de TEV atribuíveis ao uso da pílula. No Brasil seria um número em torno de 100. Para colocar isso em contexto, o último levantamento do Ministério da Saúde – feito em 2014 – sobre acidentes de trânsito diz que 1.357 ciclistas morreram naquele ano em todo o país. Em 2015, o Brasil registrou 1.738 casos de morte materna.




RESUMO

É evidente que muita coisa mudou desde 1960, inclusive em contracepção. A ciência evoluiu bastante.
Primeiramente, a própria pílula anticoncepcional teve uma longa evolução. A primeira pílula (Enovid) tinha uma dosagem 65x maior do que as pílulas de hoje. Uma enorme variedade de métodos contraceptivos hormonais ou não surgiu. As opções hoje são as mais variadas possíveis: DIUs, implantes, anéis vaginais, injetáveis, preservativos, adesivos etc.

Cabe à mulher, devidamente informada e orientada pelo seu médico - no seu inalienável direito - decidir pela melhor opção para ela. Mas, a mulher deve também ter cuidado a respeito de possíveis notícias falsas, manchetes apelativas, para que possa fazer uma avaliação crítica mais embasada sobre sua escolha.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, Gregory Pincus, Margaret Sanger, Elise Otessen-Janssen, risco relativo, trombose. 

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG

Mestre em Saúde Pública pele Harvard University

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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Implante contraceptivo - IMPLANON

O implante disponível no Brasil é denominado Implanon   e consiste num bastonete não-biodegradável de 4 cm de comprimento por 2 mm de espessura, contendo no seu interior 68 mg de etonogestrel.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

ENXAQUECA COM AURA


Enxaqueca é uma desordem incapacitante que anualmente afeta mais de 10% dos adultos em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a enxaqueca como a 6ª desordem mais incapacitante globalmente em 2013. Representa um grande fardo socioeconômico e financeiro, e afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e é mais comum nas mulheres.
Existem vários tipos de enxaqueca, mas a que nos interessa, no momento, é a enxaqueca com AURA.



O que é a enxaqueca com aura?


É aquela com vários sintomas, por exemplo:

Distúrbios visuais: ver pontos, flashes, ziguezagues, estrelas, pontos cegos ou até perder a visão por curtos períodos de tempo.

Alterações sensoriais: sensação de formigamento ou dormência no rosto, corpo, mãos e dedos.

Problemas de fala ou linguagem: às vezes não é possível pronunciar as palavras certas, arrastando ou resmungando palavras.

A aura é acompanhada, - ou seguido dentro de 60 minutos - pela dor de cabeça

Enxaqueca com aura também aumenta o risco de acidente vascular cerebral - por causa disso, tratar outros fatores de risco de AVC e evitar certos medicamentos é importante e deve ser discutido com seu médico.

Quem tem enxaqueca pode tomar anticoncepcional?

Jamais tomar anticoncepcionais combinados, ou seja, aqueles que têm uma progesterona + um estrogênio, que são a maior parte das pílulas e injetáveis mensais.

Quais anticoncepcionais podem ser usados em mulheres com enxaqueca com aura?

·        Preservativo feminino ou masculino;
·        DIU de cobre ou hormonal;
·        Pílulas contendo apenas progesterona;
·        Implante subcutâneo;
·        Injeção trimestral.

Palavras-chave: enxaqueca, aura, distúrbios visuais, distúrbios sensoriais, distúrbios de linguagem, cefaleia, AVC, anticoncepcionais.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG

Mestre em Saúde Pública pele Harvard University

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domingo, 5 de maio de 2019

Vitamina B. Quem precisa?


Qualquer pessoa que esteja estressada, jejua periodicamente, não come grãos, é vegana, ingere uma dieta pobre, toma remédios que dificultam a absorção de vitaminas B, fez cirurgia bariátrica; ou tem problemas digestivos que prejudicam a absorção de nutrientes, tais como a doença celíaca, intolerância ao glúten ou a outros alimentos.





A falta de vitaminas B pode levar a depressão, irritabilidade, problemas de pele, falta de energia, confusão mental, problemas de digestão, constipação ou diarreia, dormência ou formigamento nas mãos ou nos pés.


Palavras-chave: vitamina B, doença celíaca, cirurgia bariátrica, intolerância ao glúten.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)

Master in Public Health (Harvard University)

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

O que é Mirena?


O DIU Hormonal ou endoceptivo (Mirena®) é uma estrutura plástica em forma de “T” de 32 mm de comprimento com um cilindro contendo uma mistura de um plástico permeável (polidimetilsiloxano) e 52 mg de um tipo de progestogênio (levonorgestrel). Este cilindro é revestido por uma membrana que regula a liberação do hormônio.


 A estrutura do “T” está impregnada com sulfato de bário, tornando o endoceptivo visível ao RX. Após sua inserção, o progestogênio (levonorgestrel), é liberado em doses de 20 mcg por dia. Difere dos DIUs medicados com cobre pelo fato da ação hormonal local inibir a proliferação endometrial, espessar o muco cervical, além de inibir a mobilidade espermática e destruí-los. Como consequência dessa ação endometrial, o Mirena tende a diminuir o fluxo menstrual e a dismenorreia (cólicas menstruais). Muitas usuárias param de menstruar durante seu uso.

Sendo assim o Mirena é altamente indicado, não só como contraceptivo, mas também nas mulheres que tenham fluxo menstrual intenso e doloroso ressalvado as contraindicações.

Média de fluxo menstrual em usuárias de Mirena



A sua ação de espessamento do muco cervical também dificulta a ascensão de germes para dentro da cavidade uterina, diminuindo a incidência das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

 A sua eficácia é uma das melhores entre os contraceptivos (99,5% por ano de uso) e a sua duração dentro do útero é de cinco anos.

Palavras-chave: Mirena, endoceptivo, Diu hormonal, fluxo menstrual.

Prof. Antônio Aleixo Neto


Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)

Master in Public Health (Harvard University)

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domingo, 7 de abril de 2019

Morro de cólicas. Será Ovário Policístico?


Cólicas

Não, querida. A cólica menstrual não é um sintoma característico da Síndrome dos Ovários 
Policísticos (SOP).

O sintoma mais característico de mulheres com SOP é a irregularidade menstrual ou mesmo falta de menstruação (amenorreia) como resultado da falta de ovulação. Por isso essa síndrome é mais apropriadamente chamada também de Síndrome Anovulatória.

Embora algumas mulheres possam desenvolver micro cistos em seus ovários, outras não os terão. Este também não é um fator essencial para diagnóstico nem controle da SOP. Por isso, no exame de ultrassom alguns mostram e outros não.

Outros sintomas frequentes são:

Acne.


Alterações hormonais relacionadas aos andrógenos podem levar a problemas de acne. Outras alterações da pele, como o desenvolvimento de marcas de pele e manchas escuras da pele também estão relacionadas à SOP.

Hirsutismo




Crescimento ou engrossamento indesejado dos pelos. As áreas afetadas pelo crescimento excessivo do cabelo podem incluir o rosto, os braços, as costas, o peito, os polegares, os dedos dos pés e o abdômen. O hirsutismo relacionado à SOP deve-se a mudanças hormonais.

Queda de cabelo

Pode ocorrer uma perda de cabelos da cabeça, também devida às alterações hormonais.

Ganho de peso.

Cerca de metade da s mulheres com SOP terá ganho de peso e obesidade.

Infertilidade.

A SOP é uma das principais causas da infertilidade feminina, já que a mulher não ovula ou ovula apenas ocasionalmente.


Ovulação Donnez


Palavras chaves: Síndrome dos ovários policísticos, SOP, Síndrome anovulatória, acne, infertilidade, hirsutismo, obesidade,

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)

Master in Public Health (Harvard University)

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