domingo, 5 de novembro de 2017

Existe cura para o HPV?


HPV é a abreviação em inglês para “papiloma vírus humano”. É um vírus que vive na pele e nas mucosas dos seres humanos, assim como na vulva, vagina, colo de útero, pênis, saco escrotal e ânus.
A importância desse vírus é que ele tem mais de 150 tipos ou variações e algumas delas são consideradas a causa primária do câncer do colo do útero. Sabe-se que são poucas portadoras do HPV que evoluirão para este câncer, mas, é importante que se tome medidas preventivas para que isto não ocorra.



Como você adquire o HPV?

O HPV genital é transmitido através do contato com a pele ou mucosa de alguém que tenha uma infecção por HPV. O contato inclui sexo vaginal, anal e oral. Alguns tipos de HPV causam verrugas genitais, que são nódulos duros e ásperos que crescem na pele e mucosas e outros tipos que causam lesões (manchas) no colo do útero.

Abraço

O câncer do colo do útero é hoje considerado uma DST (Doença Sexualmente Transmissível).

O HPV é comum?

As infecções por HPV são as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns nos Estados Unidos, no Brasil e talvez no mundo todo. Qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar sujeita a adquirir o HPV.
Existem outros fatores que facilitam a transmissão e a virulência do HPV: tabagismo, mulheres com atividade sexual precoce, múltiplos parceiros e com o sistema imune deprimido.
Estima-se, que no Brasil surjam mais de 16 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano.

Quais são os sintomas do HPV?

Na maioria dos casos, o HPV não causa sintomas. Quando ocorrem, os sinais e sintomas mais comuns são verrugas na área genital. Estes, no entanto, não estão relacionados com o câncer do colo uterino. Outros tipos podem aparecer semanas, meses ou mesmo anos após a pessoa ter sido infectada com o vírus. Ele fica em estado latente (adormecido). Por esse motivo não é possível determinar se o contágio foi recente ou antigo. Geralmente levam a pequenas “manchas no colo uterino, que só o médico consegue detectar através do exame ginecológico e principalmente a colposcopia.


Condilomas


Como diagnosticar a infecção pelo HPV?

Não há exames de sangue para o HPV, mas alguns testes podem ajudar seu médico a diagnosticar a infecção:

Teste de Papanicolau - Durante este teste, o profissional de saúde remove uma amostra de células do colo do útero que será remetido a um laboratório para análise das células.

Colposcopia – É um exame em que um especialista usa um instrumento chamado de colposcópio, que emite um feixe de luz de alta intensidade e amplia a visão do colo do útero.
As lesões subclínicas (“manchas) que não visíveis ao olho nu podem ser encontradas através da colposcopia e não apresentam nenhum sintoma ou sinal.
No colo do útero um bom colposcopista pode distinguir as chamadas:
· Lesões Intra-epiteliais de Baixo Grau/Neoplasia Intra-epitelial grau I (NIC I), que refletem apenas a presença do vírus;
· das Lesões Intra-epiteliais de Alto Grau/Neoplasia Intra-epitelial graus II ou III (NIC II ou III), que são as verdadeiras lesões precursoras do câncer do colo do útero.
Caso necessário, será efetuada uma biópsia.

Teste de DNA de HPV - Este teste procura diretamente o material genético (DNA) do HPV dentro de uma amostra de células. O teste pode detectar o tipo de HPV conectado ao câncer cervical. Pode ser efetuado em mulheres com mais de 30 anos + o Papanicolaou e caso sejam normais, pode ser repetido de 5/5 anos.

Afinal, há cura para o HPV?

Não, não há tratamento específico para eliminar o vírus. Entretanto, não é indicado procurar diagnosticar a presença do HPV, mas sim suas manifestações: manchas, verrugas, etc.
O tratamento das lesões clínicas de baixo grau (manchinhas) deve ser individualizado, dependendo da extensão, número e localização. Podem ser usados laser, eletro cauterização, ácido tricloroacético (ATA) e medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo.Eletrocautério
Já o tratamento apropriado das lesões precursoras (alto grau) é imprescindível, para que não evoluam para o câncer do colo uterino. As diretrizes brasileiras recomendam, após confirmação colposcópica ou histológica, a extirpação dessas Lesões Intra-epiteliais de Alto Grau, por meio da eletrocirurgia.

Em breve publicaremos sobre outros aspectos do HPV e câncer do colo uterino.

Palavras-chave: HPV, câncer do colo uterino, manchas do colo uterino, colposcopia, Papanicolaou, Teste de DNA, sintomas HPV, cura HPV.

Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)
OBS: Este título foi obtido após a apresentação do nosso trabalho> Incidence of cervical cancer in Brazil and an analysis of etiology and risk factors.
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domingo, 29 de outubro de 2017

Vejam esta entrevista que demos para o jornal da Faculdade de Medicina da UFMG:

https://site.medicina.ufmg.br/inicial/diu-e-alternativa-para-contracepcao-segura/


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Dúvidas: Você precisa “descansar” de vez em quando com uso da pílula anticoncepcional?


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Falso:


Esta é uma das crenças mais comuns sobre a pílula, até mesmo por alguns profissionais de saúde. A ideia de fazer uma pausa da pílula pode ter suas origens no fato de que as pílulas mais antigas tinham altas doses hormonais. Algumas pessoas também acham que esse “descanso” é necessário para manter os níveis de fertilidade. No entanto, não há razão para as mulheres fazerem isto, como por exemplo, descansarem um mês por ano. De fato, o reinício repetido da pílula pode ser mais prejudicial do que a situação relativamente em estado estacionário que é mantida durante o uso sustentado. Além disso, como a maior parte dos efeitos colaterais geralmente ocorrem nos primeiros meses de uso da pílula, ao reiniciar o seu uso, as mulheres podem ter esses mesmos efeitos novamente.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, anticoncepcional oral, pausa, descanso.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Prof. Aposentado da Faculdade de Medicina da UFMG.

Mestre em Saúde da Mulher – UFMG

Mestre em Saúde Pública – Harvard University





domingo, 1 de outubro de 2017

Proteção x riscos da pílula: qual a verdade?


Nos últimos anos a pílula anticoncepcional tem sido alvo de uma intensa campanha contra seu uso, através de redes sociais e de fake news. Este verdadeiro massacre é baseado em alguns poucos riscos que ela pode causar (trombose, enfarto, AVC, câncer de mama), sem levar em conta, em dimensão numérica, contra os inúmeros benefícios além da contracepção que a pílula proporciona.
O conhecimento desses benefícios além pode ajudar à escolha mais consciente por parte dos médicos e pacientes do método anticoncepcional mais adequado para cada caso.




Sangramento menstrual:

Há muito é conhecido que as pílulas anticoncepcionais combinadas podem reduzir em até 50% a quantidade de sangue menstrual. Somente este fato proporciona uma diminuição nos casos de anemia em mulheres que usam a pílula. A minipílula ou pílula progestínica é tomada continuamente e de um modo geral interrompe o ciclo menstrual, diminuindo também a perda menstrual.

Cólicas

Cólicas menstruais:

Além da diminuição do sangramento menstrual, as pílulas também diminuem acentuadamente as cólicas menstruais que causam tanto desconforto em muitas mulheres. Em jovens usuárias há uma evidente melhoria da qualidade de vida e uma diminuição do absenteísmo escolar. Este efeito também se observa nas minipílulas e implantes.

Endometriose:

Há fortes evidências que as pílulas diminuem a incidência e/ou as manifestações da endometriose. Para que já tem esta patologia, as pílulas podem usadas continuamente para controle das dores pélvicas e cólicas.

Síndrome dos ovários policísticos:

A pílula combinada é considerada uma das mais importantes armas no tratamento desta síndrome, também chamada de Síndrome Anovulatória, por que geralmente as mulheres não ovulam ou o fazem irregularmente. Há uma melhoria da acne, do engrossamento dos pelos, da pele e cabelos oleosos, entre outros efeitos benéficos, como a prevenção do câncer do endométrio. Os anticoncepcionais baseados apenas nos derivados da progesterona, como a minipílula, o DIU hormonal e o implante não têm este efeito benéfico.

Cefaleia menstrual:



Cerca de 25% das mulheres relatam enxaquecas ou dores de cabeça no período pré-menstrual ou menstrual. Elas ocorrem devido a variações hormonais, principalmente pela diminuição dos níveis de estrogênios nesta fase. O uso da pílula pode melhorar bastante este sintoma, principalmente no uso dos regimes 24 dias por 4 de descanso ou o uso estendido*. O uso contínuo da pílula progestínica (minipílula) é uma que tem um dos melhores resultados. Mas, ATENÇÃO: mulheres com enxaqueca com AURA* têm um risco aumentado de AVC (derrame cerebral) com o uso de pílulas COMBINADAS (com dois hormônios). Só podem usar as pílulas progestínicas ou o implante.

Síndrome pré-menstrual (TPM)


Essa síndrome desagradável afeta cerca de 40% das mulheres e por consequência seus maridos e companheiros.... Decorre, entre outras coisas, das flutuações hormonais que ocorrem no final do ciclo menstrual. O uso de pílulas é considerado tratamento de primeira escolha para esta síndrome. Pode ser usada em várias formulações e também em uso estendido**.

Câncer de ovário e do endométrio

A incidência do câncer do ovário diminui sempre que há uma supressão da ovulação. Isto ocorre em quem amamenta mais, têm mais filhos e que tomam pílulas! A incidência cai em até 50%. O uso de anticoncepcionais orais protege também, a longo prazo, o desenvolvimento do câncer de endométrio, o tipo de tumor uterino mais comum. Somente na última década calcula-se que foram prevenidos cerca de 200 mil casos em todo o mundo!
Outras situações:

Além desses importantes efeitos benéficos da pílula já citados, podemos acrescentar: a diminuição da possibilidade transmissão da gonorreia, diminuição da incidência de fibroadenomas mamários, diminuição da incidência de cistos funcionais ovarianos e efeito benéfico na flora vaginal saudável, diminuindo a incidência de vaginose bacteriana.
Lembramos que cada caso é um caso e que o médico e a paciente devem colocar na balança os possíveis riscos x os benefícios e decidirem conscientemente sobre a melhor escolha.

Em resumo, o uso de anticoncepcionais orais e os implantes, propicia um efeito protetor além da contracepção muito importante entre as suas usuárias, suplantando, em muito, os riscos do seu uso.


*Sintomas da enxaqueca com AURA

Os sintomas de enxaqueca com aura estão relacionados com distúrbios visuais, auditivos, sensitivos ou motores, e incluem:
Ruído no ouvido;
Dificuldade para falar;
Tontura ou perda do equilíbrio.
Dificuldade para movimentar os olhos;
Luzes piscando, manchas brilhantes, visão borrada;
Formigamento na cabeça, lábios, língua, braços, mãos ou pés;
Alucinações como por exemplo sensação de estar caindo, ou de os objetos serem maiores ou menores do que na realidade.

**Uso estendido: é o uso da pílula anticoncepcional sem as pausas mensais

Palavras-chave: contracepção hormonal, pílula anticoncepcional, implante, efeitos benéficos, hemorragia menstrual, cólicas menstruais, endometriose, prevenção do câncer, cefaleia menstrual.


Dr. Antônio Aleixo Neto
Prof. Aposentado da Faculdade de Medicina da UFMG.
Mestre em Saúde da Mulher – UFMG
Mestre em Saúde Pública – Harvard University

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domingo, 24 de setembro de 2017

MEUS ÓVULOS TÊM PRAZO DE VALIDADE?


É isso mesmo. As mulheres já nascem com suprimento de óvulos programado para o resto da vida. Ao nascer têm cerca de 2 milhões de óvulos. Na menarca (idade da primeira menstruação) só têm cerca de 300 mil e vão perdendo 300-500 óvulos por mês, independente de tomar pílula, de gravidez etc. Com a idade, a quantidade e qualidade dos óvulos vai diminuindo.
Óvulo
Sabe-se que o ponto máximo da fertilidade feminina é entre os 20 e 30 anos. Após os 35 esta fertilidade vai caindo, até que lá pelos 50, na menopausa, não há mais óvulos disponíveis, o que impossibilita uma gravidez natural.
O problema que se observa hoje é que os casais estão deixando para ter o primeiro filho com mais idade, seja por motivos de carreira profissional ou por motivos pessoais. Mas, a natureza não mudou e pode cobrar seu preço, que é a infertilidade.
O que recomendamos é que, as mulheres que tem objetivo ou perspectiva de ter um filho após os 35 anos, façam o congelamento de óvulos. Pacientes jovens com câncer também devem fazê-lo porque a quimioterapia e a radioterapia destroem os óvulos.
O congelamento de óvulos permite que se conserve óvulos ainda de boa qualidade para se utilizar depois, quando quiser.
Criopreservação
Este procedimento consiste no armazenamento dos óvulos em tanques de nitrogênio líquido, após estimulação ovariana e coleta dos mesmos. Quando se quiser, são retirados, descongelados, fertilizados in vitro e implantados no útero.
Antes de fazê-lo, no entanto, devem avaliar a sua RESERVA OVARIANA. Este exame é feito por ultrassonografia e consiste na contagem de folículos antrais entre o 2º. e o 5º dia do ciclo. Estes folículos são como “cápsulas” onde ficam os óvulos.
Foliculos antrais
O número de folículos antrais se relaciona com a fertilidade e com a possibilidade de se fazer indução de ovulação. O ideal é um número acima de 8-10 folículos antrais.
O exame dosagem de Hormônio Anti-Mulleriano não é mais recomendado para esta avaliação de reserva ovariana.


Palavras-Chave: óvulos, fertilidade, congelamento de óvulos, reserva ovariana, contagem de folículos antrais.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Master Public Health (Harvard University), Mestre em Ginecologia (UFMG).

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sábado, 5 de agosto de 2017

Morro de cólicas. Será Ovário Policístico?


Cólicas


Não, querida. A cólica menstrual não é um sintoma característico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

O sintoma mais característico de mulheres com SOP é a irregularidade menstrual ou mesmo falta de menstruação (amenorreia) como resultado da falta de ovulação. Por isso essa síndrome é mais apropriadamente chamada também de Síndrome Anovulatória. Embora algumas mulheres possam desenvolver micro cistos em seus ovários, outras não os terão. Este também não é um fator essencial para diagnóstico nem controle da SOP. Por isso, no exame de ultrassom alguns mostram e outros não.

Outros sintomas frequentes são:

Acne.

Acne facial

Alterações hormonais relacionadas aos andrógenos podem levar a problemas de acne. Outras alterações da pele, como o desenvolvimento de marcas de pele e manchas escuras da pele também estão relacionadas à SOP.

Hirsutismo

Hirsutismo

Crescimento ou engrossamento indesejado dos pelos. As áreas afetadas pelo crescimento excessivo do cabelo podem incluir o rosto, os braços, as costas, o peito, os polegares, os dedos dos pés e o abdômen. O hirsutismo relacionado à SOP deve-se a mudanças hormonais.

Queda de cabelo

Pode ocorrer uma perda de cabelos da cabeça, também devida às alterações hormonais.

Ganho de peso.

Cerca de metade das mulheres com SOP terá ganho de peso e obesidade.

Infertilidade.

A SOP é uma das principais causas da infertilidade feminina, já que a mulher não ovula ou ovula apenas ocasionalmente.


Ovulação Donnez



Palavras chaves: Síndrome dos ovários policísticos, SOP, Síndrome anovulatória, acne, infertilidade, hirsutismo, obesidade,


Dr. Antônio Aleixo Neto

Master Public Health (Harvard University), Mestre em Ginecologia (UFMG).


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