quinta-feira, 5 de julho de 2018

8 COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE VAGINOSE BACTERIANA

Vaginose bacteriana é uma síndrome em que ocorre a substituição da flora bacteriana habitual da vagina -- onde predomina o Lactobacillus -- por uma flora poli microbiana que inclui: Gardnerella vaginalis, Prevotella, Mobiluncus, Mycoplasma, Atopobium vaginae e outros germes. Muitos chamam resumidamente de Gardnerella, por que esta bactéria é a mais presente nesta síndrome, mas, como vimos, não a única.
 

Vaginosis image

 
1. O que causa a Vaginose?

Ainda não se sabe porque esta flora anormal passa a dominar o ecossistema vaginal em algumas mulheres e não em outras.

Entre os fatores predisponentes salientam-se:

· Mulheres com vida sexual ativa
· Mulheres com vários parceiros sexuais
· Baixa imunidade
· Mulheres com ectopia (“ferida”) do colo uterino
· Usuárias de DIUs de cobre
· Uso de ducha vaginal

As raças brancas e asiáticas são menos predispostas à vaginose bacteriana, assim como as usuárias de qualquer método contraceptivo hormonal.
 
2. A Vaginose Bacteriana é uma DST (Doença Sexualmente Transmissível)?

Uma pergunta que geralmente é feita sobre a Vaginose Bacteriana é se ela é contagiosa ou não. No momento, está ocorrendo uma importante mudança de paradigma. Sempre se achou que a vaginose teria a ver com atividade sexual, mas, que ela não seria transmitida sexualmente. No entanto, tem surgido trabalhos modernos, com estudos baseados em métodos DNA e PCR, mostrando que o parceiro da mulher portadora da vaginose bacteriana possui geralmente a mesma flora que ela, na pele do pênis e na uretra. Isto inclui a Gardnerella vaginalis com biofilme, além de outras bactérias causadoras da vaginose.
A resposta então, baseada nas últimas evidências científicas, é que pode ser transmissível. O homem não tem a doença. Ele não sente nada. Mas, pode adquirir a flora contaminante da mulher e retransmiti-la.
 
 


3. Quais os sintomas mais frequentes?

O mais comum é um corrimento acinzentado/amarelado com forte odor, geralmente descrito como corrimento com cheiro de peixe. Este corrimento vaginal com mau cheiro costuma piorar após relação sexual. A vaginose não costuma dar coceira e ardor.



4. Como se faz o diagnóstico?


O diagnóstico da vaginose bacteriana é baseada no conjunto de sintomas e achados laboratoriais. Se você tem queixas de corrimentos, o ginecologista fará um exame ginecológico completo e eventualmente fará alguns testes das secreções. Na vaginose há um teste simples, feito no próprio consultório, que consiste na adição de hidróxido de potássio 10% na secreção vaginal para aumentar a liberação do característico cheiro forte de peixe.



5. A Vaginose Bacteriana é comum?


É muito comum. É a maior causa de corrimento entre as mulheres em idade fértil. Nos EUA estima-se que 21 milhões de mulheres adquiram esta síndrome por ano.

 

 
6. A vaginose bacteriana é perigosa?

Para mulheres gestantes sim, por que aumenta a incidência de partos prematuros, que é uma das maiores complicações que pode ocorrer na gravidez.

 

 
A vaginose bacteriana tem uma ação pró inflamatória e assim facilita o contágio de outras doenças, tais como gonorreia, clamídia, doença inflamatória pélvica, HPV e mesmo o HIV, devido à diminuição da flora vaginal normal, que tem função protetora.
 
7. O tratamento é complicado?

Não. É até simples, podendo ser feito por medicamentos por via oral, vaginal ou associados.

 
 
 
8. Por que então é tão frequente a recidiva?

Principalmente pelo fato de ser uma síndrome com grande diversidade de germes causadores. Alguns são sensíveis a determinados antibióticos e outros não. Desta forma, os tratamentos prescritos podem não eficientes para todos.

Outro fator é que alguns dos germes causadores produzem o que chamamos de “ biofilme ”, que é como se fosse uma redoma de vidro que isola o germe do meio ambiente, impedindo a ação dos antibióticos.
Finalmente, não se costumava tratar o parceiro da mulher portadora de vaginose bacteriana. Mas, como a hipótese de transmissibilidade agora é aceita, o tratamento do parceiro é imperativo e deve diminuir – em muito – a recorrência ou recidiva da vaginose bacteriana.



Palavras-chave: vaginose bacteriana, Gardnerella vaginalis, DST, biofilme.


Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)
© Todos os direitos reservados

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Contato: antonioaleixoneto@gmail.com















































quinta-feira, 14 de junho de 2018

CISTITE DE NOVO? NÃO AGUENTO MAIS…

Isso mesmo, essa cistite que vai e volta e que incomoda chama-se de Cistite de repetição ou recorrente, que é quando uma paciente tem dois ou mais episódios de infecção da bexiga por ano. Os sintomas mais comuns são:

  • Dor para urinar
  • Urgência urinária
  • Dor no baixo ventre
  • Sangue na urina


Cistite3

A cistite pode evoluir para a pielonefrite, que é um quadro mais grave, com: febre, dor lombar, fraqueza, enjoos.

Os germes causadores da cistite são, em geral, provenientes do trato intestinal, como a Escherichia coli. Isto já ajuda a explicar porque as mulheres têm muito mais cistites do que os homens: a distância do ânus à entrada da vagina. A infecção urinária surge quando essas bactérias migram da região perianal e passam a colonizar a região ao redor da uretra. Dali, passam facilmente para a bexiga.

Enterococos

Mas, por que esta repetição?

Algumas podem ser explicadas por predisposição genética ou baixa de resistência. Mas, existem doenças, situações e hábitos que aumentam o risco da Cistite Recorrente ou de Repetição.

Diabetes

Menopausa

AIDS

Gravidez

Anomalias anatômicas do trato urinário

ALGUMAS DICAS PARA PREVENÇÃO


Hábitos e frequência sexual

A infecção urinária não é doença sexualmente transmitida, mas a relação sexual provoca atrito e facilita a contaminação vaginal por germes que se encontram no períneo. Nos casos de cistite de repetição é conveniente urinar após a relação e o uso de antibióticos profiláticos pode ser útil em casos selecionados.

O sexo anal pode ser considerado uma das maiores causas de cistite de repetição, porque espalha germes intestinais no períneo. Se for seguido de sexo vaginal, aí então, nem se fala: estes germes são lançados diretamente nos genitais.

Roupas leves

Procure usar roupas leves de forma a não deixar a região genital muito úmida pelo suor. A pele úmida e fechada por muito tempo debaixo de roupas que não permitem a circulação do ar favorece a proliferação de bactérias e fungos (candida). Dress


Hábitos de higiene

Limpar-se sempre da frente para trás. Ao invés do papel, usar, de preferência, lenços umedecidos neutros. O papel higiênico deixa resíduos que podem acumular bactérias.

Evite segurar a urina por muito tempo. Isto favorece a bexiga cheia e a proliferação de germes.

Não deixar o absorvente íntimo externo por muito tempo. O absorvente interno ou o coletor menstrual são mais indicados.

Não usar desodorantes ou talcos na região genital.

Na menopausa

O uso de cremes vaginais com hormônios na menopausa é particularmente eficaz no tratamento dos sintomas geniturinários, como a atrofia vaginal. Eles induzem a normalização do epitélio vaginal e ajuda a restauração da microflora normal e do Ph fisiológico da vagina. Como resultado, aumenta a resistência das células epiteliais vaginais à infecção e à presença dos germes causadores da cistite.

Água

Ah, a água. Sempre tomar muita água...

Palavras-chave: cistite, infecção urinária, cistite redicivante, cistite recorrente, pielonefrite, escherichia coli.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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sexta-feira, 1 de junho de 2018

DIU DE PRATA: O DIU QUE VALE OURO!

Existem no mercado vários modelos de dispositivos intrauterinos de cobre (DIU), que se diferenciam pelo tamanho, pelo formato e pela quantidade de cobre. Todos têm como característica a ausência de hormônios.

Modelos DIUS


Os DIUs de cobre têm tido uma crescente procura entre as mulheres, principalmente aquelas que não querem mais a influência de nenhum hormônio no seu organismo, mas não abrem mão de um método contraceptivo de longa duração e eficaz. E realmente, os DIUs de cobre têm uma duração entre cinco e dez anos e uma eficácia em torno de 99,7%. Ou seja, excelente.

Há cerca de dois anos foi lançado com grande sucesso no Brasil um DIU chamado Silverflex, que, além do filamento de cobre de 380cm2 que envolve a base de polietileno, tem um núcleo de prata dentro dele. O seu formato é de um ípsilon (Y). Tem como característica também importante um aplicador mais fino que o do T de cobre, facilitando sua inserção.

Silverflex Telediu

O sucesso deste modelo de DIU tem sido explicado pela diminuição dos efeitos colaterais, tais como as cólicas menstruais e o fluxo menstrual, além da maior facilidade de inserção em nuligestas (mulheres que não tem filhos).


VEJA O FILME



Portanto, bem-vindo este novo modelo de DIU Andalan Silverflex de cobre/prata. Nova opção para as mulheres que desejam um método não hormonal, de longa duração e de alta eficácia.


Palavras-chave: DIU, dispositivo intrauterino, DIU de cobre, DIU de cobre e prata, SIlverflex


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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sexta-feira, 18 de maio de 2018

8 vantagens e 4 desvantagens do uso do contraceptivo injetável trimestral

VANTAGENS
  • Muito eficaz: superior até à ligadura tubária.
  • Prático: uma injeção apenas de 3/3 meses.
  • Pode ser usado em qualquer idade.
  • Não prejudica o leite materno.
  • Pode ser usado nas portadoras de miomas, adenomiose e endometriose.
  • Pode ser usada em hipertensas leves e em portadoras de enxaqueca.
  • Pode ser usada por fumantes.
  • Método barato e disponível na Farmácia Popular.


Depoprovera



DESVANTAGENS

  • Muda o padrão menstrual: a maioria passa a não menstruar (o que é bom); outras podem ter sangramentos discretos e irregulares.
  • Pode retardar o retorno à fertilidade.
  • Pode causar dor de cabeça, dor mamária e acne, em algumas mulheres.
  • Pode levar ao ganho de peso e retenção de líquidos, em algumas mulheres.
Palavras-chave: injetável trimestral, contraceptivo injetável.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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sábado, 5 de maio de 2018

HORMÔNIOS NA MENOPAUSA: TEM OU NÃO QUE TOMAR?

Muitas pacientes lá pelos 40, me perguntam se todas as mulheres têm que tomar hormônios na pré ou pós-menopausa. Eu respondo que cada caso é um caso diferente, mas que, dificilmente uma mulher conseguirá passar por este período sem tomar algum tipo de Terapia Hormonal (TH), por maior ou menor tempo. Digo isto porque os sintomas podem ser muito incômodos e a TH também pode prevenir vários problemas de saúde.

Menopausa1

Primeiramente, vamos à definição dos termos climatério e menopausa. Fico com a definição do Dr. Dráuzio Varella: Climatério é o nome dado ao período de transição entre a fase reprodutiva e não reprodutiva da vida feminina, que acontece como consequência do esgotamento da função ovariana. Menopausa é um diagnóstico feito “a posteriori”, depois que se passaram 12 meses sem ocorrer menstruações

Mas, vamos ver o que preconiza a Sociedade Norte-americana de Menopausa, uma das entidades mais importantes nessa área.

Em 2017 esta Sociedade atualizou sua posição diante da Terapia Hormonal (TH) antes em vigor desde 2012.

Aqui publicamos um resumo:

Nessa declaração oficial foi confirmada que a Terapia Hormonal (TH) continua a ser o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores (fogachos, etc.) e a síndrome geniturinária da menopausa além de que, tem sido mostrado sua utilidade na prevenção da perda óssea e fratura.

Os riscos da TH diferem dependendo do tipo, dose, duração do uso, rota de administração, calendário de iniciação, e se um progestágeno é usado. O tratamento deve ser individualizado para identificar o tipo TH mais apropriado, dose, formulação, rota de administração e duração do uso, utilizando as melhores evidências disponíveis para maximizar os benefícios e minimizar os riscos, com reavaliação periódica dos benefícios e os riscos de continuar ou descontinuando HT.

Tratamento menopausa

Para as mulheres com idade mais jovem do que 60 anos ou que estão dentro de 10 anos de início da menopausa e não têm contraindicações, a relação risco/benefício é mais favorável para o tratamento dos sintomas vasomotores incômodos e para aqueles em risco elevado de perda óssea ou fratura.

Para as mulheres que iniciam a TH mais de 10 ou 20 anos do início da menopausa ou têm idade além dos 60 anos ou mais, a relação risco/benefício parece menos favorável por causa dos maiores riscos absolutos de doença coronariana, derrame, tromboembolismo venosa, e demência.


Palavras-chave: menopausa, climatério, terapia hormonal.


Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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terça-feira, 1 de maio de 2018

Duas ou três coisas que você deve saber dela: pílula do dia seguinte


A pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência que pode ser usado para prevenir a ocorrência de gravidez, após uma relação sexual sem proteção ou quando há suspeita de falha do método anticoncepcional rotineiramente utilizado.

Emergency


A sua formulação contém apenas um tipo de progesterona, o levonorgestrel, de preferência na dosagem de 1,5mg.

A eficácia desta pílula dependerá justamente do intervalo entre a relação sexual e o seu uso. Quanto mais cedo tomada, maior a eficácia. No primeiro dia: 95%. Já no 3º. dia (72h) 58%. Se compararmos com os métodos modernos de contracepção, tais como a pílula tradicional, os DIUs, o Mirena, as injeções e outros, com eficácia contraceptiva acima de 99%, constatamos que a eficácia da pílula do dia seguinte é muito menor.

Modo de uso


Na dosagem de 1,5mg, tomar apenas 1 comprimido o mais rápido possível após a relação sexual.

Pílula emergencia


Como age?


O mecanismo de ação do levonogestrel pode ser variável, inclusive dependendo da fase do ciclo menstrual que a mulher se encontrar.


  • Através da inibição ou retardo da ovulação;
  • Dificultando o ingresso do espermatozoide no útero;
  • Ou, alterando a passagem do óvulo ou espermatozoide pela tuba uterina.

Não age quando o óvulo foi fertilizado.



Efeitos colaterais mais comuns


Náuseas, vômitos, tonturas, cefaleia e sensibilidade dos seios.

Se ocorrer vômito dentro de duas horas da administração da pílula de emergência, a dose deve ser repetida.

Para náuseas e vômitos pode ser ingerido o cloridrato de meclizina 25 mg, 1 comprimido).


Indicações para o uso da pílula do dia seguinte


Basicamente, a pílula do dia seguinte foi configurada para ser usada emergencialmente e se possível uma única vez. Não é para ser usada como método regular de contracepção.


Bons exemplos para seu uso:


  • Teve relações sexuais sem proteção e em período fértil
  • Teve relações sexuais com preservativo que se rompeu, diafragma ou DIU que se deslocaram
  • Teve relações após dois dias de esquecimento do uso da pílula anticoncepcional combinada


Importante que, uma vez o “acidente” tenha acontecido, passar a usar preservativo masculino até a próxima menstruação, ou que seja definido que não ocorreu gravidez.


Esquecimentos frequentes de pílula anticoncepcional, preservativos que se rompem, etc., são indicações que não se está usando o método do modo correto. Talvez seja melhor optar por outro método. Hoje em dia existem várias opções disponíveis. Converse com seu ginecologista.


Exemplos de pílulas de emergência:


Pozato Uni

Postinor Uno

Neodia

Postinor2



Palavras-chave: pílula do sai seguinte, pílula de emergência, levonorgestrel


Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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