terça-feira, 3 de setembro de 2019

DIU deslocado ou mal posicionado (2a. parte)


Por que o DIU se desloca?

Às vezes ele não se deslocou, mas ficou mal inserido, distante do fundo da cavidade uterina. Isso é mais frequente em úteros com retroversão (virados para trás) acentuada e em nuligestas (mulheres sem filhos), devido à maior dificuldade na inserção.

Outras vezes o DIU ou Mirena não cabe dentro da cavidade uterina. É uma questão de geometria. Por isso, em mulheres que não têm filhos é imperativo medir a distância entre o orifício interno do colo uterino e o fundo da cavidade.



Se ele for maior do que esta distância, não vai caber e vai ser expulso e causar muitos efeitos colaterais. O DIU grande demais para a cavidade pequena, se não for expelido, pode inscrustar no miométrio, resultando em desconforto do paciente, sangramento e pode até avançar para perfurações.

Para se ter uma ideia, o comprimento do T de cobre é de 36mm e do Mirena 32mm.

Pesquisadores americanos mostraram que há uma grande variação individual no tamanho e na forma do útero humano, provavelmente maior do que nas variações no tamanho e na forma do pé humano. Os pesquisadores demonstraram que as cavidades uterinas variam muito em forma, tamanho e potencial de adaptação.

O diâmetro transversal (largura) da cavidade uterina também deveria ser considerado ao decidir qual modelo de DIU usar e tem uma influência grande no desempenho e na aceitabilidade. Kurz, na Alemanha, mediu o diâmetro transversal da cavidade endometrial em 795 mulheres com filhos e sem filhos (nulíparas). O valor médio e desvio padrão em mulheres nulíparas foi de 23,1 ± 3,1 mm.



Ora, a largura do T de cobre 380 A e do Mirena é de 32mm!

A conclusão é que os DIUs T de cobre e o Mirena são muito grandes para a maioria das mulheres nulíparas. Cabe a orientação para o uso de alternativas disponíveis: DIUs Mini (Ômega, Andalan) e o recém lançado Silverflex Mini e o Kyleena, que é chamado popularmente de Mini Mirena, menor do que o original (30 mm comprimento/28mm largura), que será lançado em breve no Brasil.

KYLEENA



DIU OMEGA MINI BEM POSICIONADO



A distorção uterina grave (por exemplo, miomas) ou uma malformação congênita (por exemplo, útero arcuatus ou bicornus) pode impedir o posicionamento adequado de um DIU e causar deslocamento e migração do DIU na e através da parede do útero.

DIU SAFE DESLOCADO



No cômputo geral, a expulsão total de um DIU de cobre ou hormonal é baixa e ocorre em 5 a 10% das mulheres durante o primeiro ano de uso, com 1 a 2% ao ano a partir de então e deve-se principalmente à incompatibilidade espacial com uma cavidade uterina muito pequena.

Portanto, uma avaliação completa antes da inserção do DIU ou Mirena é importante, e pode diminuir os deslocamentos, efeitos colaterais e complicações, principalmente entre as mulheres nulíparas, nas quais o útero é menor do que as mulheres que já tiveram filhos.

Palavras-chave: deslocamento de DIU, expulsão de DIU, capacidade do útero, T de cobre, Mirena, Kyleena, Mini.


Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG
Mestre em Saúde Pública pela Harvard University
© Todos os direitos reservados

Gostou da postagem? Curta nas suas redes sociais.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

As “Fake News” na saúde pública


Nos últimos anos, têm sido notado o recrudescimento de doenças raras ou que já tinham sido consideradas controladas.


Exemplos bem documentados incluem os recentes surtos de ebola na África e de sarampo, no Brasil e várias partes do mundo. No surto de Ebola 2013-2016 na África Ocidental, curas falsas, como tomar banho em água quente e sal ou consumir nozes amargas da árvore da kola, foram propagadas através das mídias sociais.

A abordagem dos governos foi a divulgação de mensagens sobre o tratamento adequado e controle do Ebola. Mas isso não funcionou, porque as comunidades não percebiam as autoridades como fontes confiáveis.

Descobriu-se que as celebridades do YouTube - as quais as comunidades viam como fontes confiáveis ​​- poderiam mudar a narrativa e incentivar as estratégias de prevenção endossadas pela Organização Mundial de Saúde. Um rapper liberiano chamado Shadow fez vídeos musicais que ressoaram bem com as comunidades. Uma música, intitulada "Ebola in Town", desencorajou a apertar as mãos e a comer carne do bosque e inspirou a criação de uma dança que imitava o abraço à distância. A força de seus vídeos foi um indicador de quão rápido as mensagens orientadas para a saúde pública poderiam se espalhar através de abordagens de mídia criativa.

Outro exemplo preocupante de desinformação envolve a vacinação, sendo a vacina contra o sarampo o caso mais proeminente no Brasil, no momento. Nos EUA mensagens anti-vacinação "irresponsáveis" circuladas nas plataformas de mídia social podem estar contribuindo para um aumento nos casos de sarampo e um declínio na aceitação da vacinação.



O pior é que as gerações mais jovens estão se não estão se sensibilizando para a importância das vacinas como uma norma, algo que pode afetar a distribuição da imunidade a longo prazo, como é também o caso das vacinas contra o HPV.

Pesquisadores agruparam as mensagens mais dominantes sendo propagadas contra a vacinação: questões religiosas, violação das liberdades civis e individuais, “direito de escolha”, falsos efeitos colaterais ou complicações.

Para a comunidade de saúde pública, é um verdadeiro desafio traduzir as mensagens adequadas pela mídia. A linguagem técnica especializada e as respostas convencionais parecem não funcionar.  Em vez disso, é preciso usar uma linguagem que possa difundir informações cruciais para a rede de informações digitais - por exemplo, visualizações de dados criativos que sejam simples, mas acessíveis, ou informações fornecidas por memes. O treinamento de mídia deve ser um componente central da educação em saúde pública para deter essas pragas digitais modernas

Palavras-chave: fake news, desinformação, vacinação, saúde pública, mensagens, mídia social.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG
Mestre em Saúde Pública pela Harvard University

© Todos os direitos reservados

Gostou da postagem? Curta nas suas redes sociais.

domingo, 25 de agosto de 2019

TOXOPLASMOSE Saiba como prevenir a transmissão da toxoplasmose (a doença do gato) para o bebê na gestação


O QUE É?

Toxoplasmose, conhecida como doença do gato, é uma infecção que pode ser adquirida por qualquer pessoa. Mas, na mulher, grávida, pode ser muito grave: a mãe pode transmitir ao filho, na gestação, e o bebê pode ter complicações e até morrer.



ALERTA

Um grande problema é que a Toxoplasmose - em geral na fase aguda - não apresenta sintomas. A maioria das gestantes contaminadas não sabe disso, o que aumenta o risco da Toxoplasmose congênita.

TRANSMISSÃO

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma Gondii. O gato é o reservatório natural dessa parasitose e a elimina pelas fezes. Entretanto, esta doença pode ser adquirida também das seguintes formas:

·       Comer carnes cruas ou mal passadas
·       Beber água contaminada
·       Comer verduras e frutas mal lavadas
·       Tomar leite cru
·       Contato com fezes de gato
·       Ou pelas mãos sujas com terra ou areia contaminada



RISCO PARA O BEBÊ

A mãe pode transmitir ao bebê, em qualquer fase durante a gestação. Quanto mais cedo isso acontecer, maior o risco de lesões no feto. A criança pode nascer com problemas na audição, visão, ter retardo mental, entre outros distúrbios. E a depender da gravidade do caso pode ocorrer aborto espontâneo.

CUIDADOS PARA PREVENIR

Cuide de sua saúde e a de seu filho!

Durante a gestação, lembre-se:
·       Coma sempre carne bem cozida ou bem passada
·       Lave a tábua que usou para cortar a carne crua
·       Só beba água tratada ou ferida
·       Lave adequadamente frutas, legumes e verduras
·       Beba leite pasteurizado ou fervido
·       Lave bem as mãos com água e sabão (antes e após cozinhar, usar o banheiro, lidar com a terra ou areia)

PRÉ-NATAL

Compareça a todas às consultas e faça os exames regularmente.
Tire as dúvidas com o médico e/ou unidade de saúde.
O diagnostico da toxoplasmose requer exames laboratoriais. O médico saberá avaliar e indicar o tratamento adequado para combater a doença e aumentar a chance de uma gravidez saudável.

SEU GATO



·       Não dê carnes cruas

·      Peça a alguém saudável e não gravida para limpar a areia do gato diariamente. Se isso não for possível, use luvas. Os parasitas nas fezes contaminadas levam de 1 a 5 dias para se tornarem infecciosos.

Palavras-chave: toxoplasmose, toxoplasma Gondii, distúrbios mentais, malformações, parasitas, gatos, contaminação por gatos, alimentos crus.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG
Mestre em Saúde Pública pela Harvard University

© Todos os direitos reservados

Gostou da postagem? Curta nas suas redes sociais.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Quer diminuir os triglicérides?


Escolha um de estilo de vida saudável, como fazer atividade física regular, perder peso, evitar açúcar e carboidratos refinados, limitar o consumo de álcool e escolher gorduras saudáveis das plantas em vez de gorduras saturadas. 



Também é importante tratar ou eliminar condições como diabetes tipo 2 mal controlado, hipotireoidismo e obesidade que podem contribuir para níveis elevados de triglicérides antes de se voltar para a medicação.



Os triglicerídeos elevados são relativamente comuns entre as pessoas nos países ocidentais, e a prevalência está aumentando devido às crescentes taxas de obesidade e diabetes. Ambas as condições elevam os níveis de triglicerídeos. Cerca de 25% dos adultos nos EUA têm um nível de triglicerídeos acima de 150 mg / dL, o que é considerado alto.

Os alimentos – em especial os pescados – ainda são os melhores veículos para fornecer ao organismo EPA e DHA, as versões de ômega-3 mais vantajosas à saúde.


A dose eficaz para a prescrição de ácidos graxos ômega-3 é de quatro gramas por dia ingeridas com alimentos.



A medicação com ácido graxo ômega-3 reduz os níveis de triglicérides em 20% a 30% entre a maioria das pessoas que necessitam de tratamento para altos níveis de triglicérides, de acordo com um alerta científico da American Heart Association.



Palavras-chave: triglicérides, ácidos graxos, ômega 3, obesidade, diabetes, atividade física.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG
Mestre em Saúde Pública pela Harvard University

© Todos os direitos reservados

Gostou da postagem? Curta nas suas redes sociais.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

DIU DESLOCADO OU MAL POSICIONADO (1ª. parte)

Algumas vezes num Ultrassom pélvico de rotina ou porque a usuária tinha algum sintoma, o laudo descreve que o DIU está mal posicionado. Às vezes também no exame ginecológico de rotina os fios do DIU não estão visíveis. E aí? Pode ser DIU mal posicionado.

Um DIU mal posicionado pode ser descrito como: 



- localizado no segmento uterino inferior ou já no canal do colo do útero
- rodado
- incrustado no miométrio
- parcialmente expelido através do colo uterino
- perfurando o útero, parcial ou totalmente
- expulso, totalmente na vagina

DIU PERFURANDO O ÚTERO





Não há um consenso de quantos milímetros poderia estar o DIU distante do fundo da cavidade. 10, 20, 30 mm? Em realidade não existem estudos adequados para esta avaliação. Nossa posição – junto com outros pesquisadores – é de que esta distância não é tão importante, desde que o DIU de cobre esteja acima do orifício interno do colo uterino.

Um DIU mal posicionado facilitar uma gravidez? 

Se o DIU “mal posicionado” tem eficácia contraceptiva menor não está claro. Existem estudos mostrando que os DIUs estão deslocados para baixo em 52% das mulheres grávidas e em apenas 7% mulheres não grávidas. No entanto, não se sabe se a gravidez em crescimento empurrou o DIU para um nível baixo. Em outras palavras, o que veio primeiro, o DIU deslocado para baixo ou a gravidez? Em relação ao DIU hormonal (levonorgestrel) o consenso é que ele é eficaz, não importa onde seja colocado na cavidade uterina.

 Quando fazer ultrassom? 

Em realidade o ultrassom não é obrigatório. Na 1ª. revisão com seis semanas pode-se verificar se os fios do DIU estão de tamanho adequado (2-3 cm) na saída do canal. Isso basta, como já demonstramos em trabalho precedente. Caso faça questão do ultrassom deve-se esperar seis semanas após a inserção, porque nesse período pode haver migração para cima do DIU e evita-se de extrair aqueles supostamente mal posicionados com poucas semanas de gravidez.

Palavras-chave: deslocamento de DIU, expulsão de DIU, DIU mal posicionado, ultrassom e DIU

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da UFMG
Mestre em Saúde Pública pela Harvard University

© Todos os direitos reservados

Gostou da postagem? Curta nas suas redes sociais.

Nova pílula vem aí

Dentro de um a dois anos deverá entrar no mercado um novo tipo anticoncepcional oral combinado, composto de estetrol e drospirenona. Os resultados já alcançados nos estudos pré-clínicos, que indicaram que esse contraceptivo oral pode revolucionar o mercado. O esterol sintetizado em laboratório, e presente no novo medicamento, é idêntico ao estrogênio produzido pelo corpo humano, reduzindo os riscos associados ao uso de anticoncepcionais combinados.

A principal preocupação de pacientes e médicos em relação aos contraceptivos tradicionais é o risco de tromboembolismo venoso, que poderia chegar perto de zero com o novo produto

O estetrol associado à drospirenona oferece alta eficácia contraceptiva com redução de efeitos colaterais e menor aumento de proteínas pró-coagulantes sintetizadas no fígado, que são responsáveis pelo risco de trombose.

Vamos aguardar.