segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Menopausa: tenho que dosar hormônios?


Muitas mulheres que pararam de menstruar na faixa dos 50 anos nos indagam a respeito da dosagem de hormônios para saber se já estão na menopausa. Ora, por definição, menopausa é o período em que cessam as menstruações, por pelo menos 6 -12 meses, em mulheres em torno dos 50 anos, que é a idade média no Brasil.

Portanto, é um diagnóstico clínico; uma constatação. Não é preciso exame de hormônios para se saber o que já é um fato.




Já na pré-menopausa, que inicia-se por volta dos 40 anos, muitas vezes eles são necessários, porque podem ocorrer uma série de variações hormonais que eventualmente necessitariam de um tratamento ou intervenção médica.

Os exames de sangue que um ginecologista pede com frequência na pré-menopausa são:

Hemograma
Glicemia de jejum
Lipidograma (colesterol e triglicérides)
TSH
FSH
LH
Estradiol
Progesterona
Testosterona

Evidentemente,  além do exame ginecológico, outros exames podem ser necessários, de acordo com o quadro clínico de cada mulher.

Mamografia: de 2/2 anos dos 40 aos 50 anos
Ultrassom transvaginal
Citologia de prevenção do câncer do colo uterino.


Palavras chave: menopausa, pré-menopausa, hormônios, exames.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)

Master in Public Health (Harvard University)

© Todos os direitos reservados








domingo, 20 de janeiro de 2019

O Mirena engorda?

Um dos problemas mais importantes e também mais controversos na nossa vida é o ganho de peso e a consequente obesidade e suas consequências. É um assunto extremamente complexo que envolve inúmeros fatores que se entrelaçam e afetam a nossa saúde: ingestão excessiva de alimentos (calorias), absorção dos alimentos, a falta ou deficiência de atividade física, o metabolismo individual, distúrbios hormonais, e por aí vai.

No entanto, muitas vezes se esquece de que o ser humano foi desenvolvendo ao longo dos milênios uma alta capacidade armazenamento de energia (gordura). Só assim ele sobrevivia a longos dias sem caça, alimentando-se apenas de pequenos frutos e sementes. Os melhores nesta capacidade sobreviveram e nós herdamos geneticamente este fator.
 
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Acontece que hoje a alimentação é geralmente farta -- embora não necessariamente saudável -- e a atividade física diminui cada vez mais. Resultado: as calorias sobram e vão se transformar em gordura.

A expectativa de vida também aumentou demais, já chegando a mais de 80-90 anos. A mulher sobrevive décadas após a menopausa e fica sujeita a inúmeras doenças que suas ancestrais nunca teriam. Na pré-história a expectativa de vida era de 30-40 anos. Poucos chegavam a mais do que isso. Não dava tempo de ter osteoporose, a maioria dos cânceres, artrose e obesidade...Hoje esta última pode ser já considerada uma epidemia mundial, ameaçando a saúde e bem estar de bilhões de pessoas.

E o Mirena, como é que fica? Nós sabemos que determinados hormônios podem afetar o metabolismo, predispondo à perda ou ganho de peso. No entanto, o DIU hormonal (Mirena) libera o hormônio levonorgestrel (parecido com a progesterona) em doses diárias entre 10 e 20mcg/24h, na cavidade uterina, durante cinco a sete anos. Não libera estrogênio. 

Só para comparar, as pílulas mais vendidas do Brasil têm 150 mcg de levonorgestrel por comprimido, além de um estrogênio. Por isso, a dose liberada pelo Mirena é considerada mínima e além do mais apenas uma pequena parte é absorvida pelo organismo, caindo na corrente sanguínea.

Diversos estudos controlados realmente mostram que com o passar dos anos o Mirena engorda sim, mas tanto quanto quem usa DIU de cobre ou nenhum método. 
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É triste, mas é a realidade. Enfim, Mirena não engorda; a vida sim...



Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O que fazer em caso de esquecimento de pílula anticoncepcional?


O esquecimento de tomar a pílula é um dos problemas mais comuns entre suas usuárias. A consequência deste fato, muitas vezes, é uma gravidez indesejada. 

Nos EUA 15% das usuárias relatam esquecimento de tomar uma pílula no último mês e 13,3% relataram ter esquecido duas ou mais pílulas nos três últimos meses de uso. Ou seja, cerca de ¼ das usuárias de pílula apresentaram uso irregular das pílulas anticoncepcionais. Estes números variam de acordo com a idade, o estado civil, e a motivação da mulher, entre outros fatores. 

No Brasil os números devem ser parecidos ou até piores.


Você deve saber como proceder nestes casos.

Primeiramente leia cuidadosamente a bula da pílula e siga as instruções. De um modo geral, para as usuárias de pílulas combinadas (aquelas que têm dois hormônios) não haverá maiores problemas se o esquecimento for de até 12 horas. Tome a pílula ao lembrar-se e tome a próxima no horário habitual.

Se o esquecimento for de + de 24 horas, ou seja, ao tomar uma pílula a usuária verificar que não tomou a do dia anterior, tome as duas juntas com um remédio para enjoo. Nestes casos – SE NÃO ACONTECER NO INÍCIO DA CARTELA – a probabilidade de ovulação e gravidez é baixa.

Já no esquecimento de 2-3 dias a usuária pode continuar tomando a pílula apenas para não sangrar fora de época, mas a proteção contraceptiva estará prejudicada. Usar preservativo até acabar a cartela.. Se acontecer na última semana da cartela, a usuária pode emendar uma cartela na outra. Nesse caso irá “menstruar” apenas quando terminar a segunda cartela.

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Lembre-se!

· Os casos de esquecimento de tomar a pílula são mais frequentes que se imagina e podem levar a uma gravidez e muitas vezes a sangramentos tipo “mancha” ou “borra de café”.

· Caso os esquecimentos se repitam, pensar em trocar para um método de longa duração, como os injetáveis, o DIU, o implante, ou então, o anel vaginal e o adesivo. Converse com seu médico sobre estas possibilidades.

· Ao contrário do que se pensa, o PIOR esquecimento não é no meio da cartela e sim no seu início. Ou seja, se a usuária esquecer uma ou mais pílulas da cartela subsequente ao intervalo de descanso, estará correndo um sério risco de ovulação e gravidez.

· Se o esquecimento ocorrer na usuária de pílula só de progesterona (mini-pílula) o risco de falha é ainda maior.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, pílula combinada, esquecimento, mini-pílula.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O que é cauterização do colo do útero?


Cauterização do colo do útero é um procedimento que é usado para tratar lesões anormais, mas, não cancerosas, nesta porção do útero, que fica no fundo da vagina (colo).
A cauterização pode ser elétrica (eletro cauterização), por congelamento (criocauterização) ou química.


APARELHO DE ELETRO CAUTERIZAÇÃO

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A cauterização do colo do útero é comumente usada para tratar as chamadas feridas (ectopias ou ectrópios) do colo do útero e lesões pré-cancerosas do colo do útero, tais como pequenas áreas de tecido anormal (displasia cervical), geralmente causadas por alguns tipos de HPV.  Também pode ser usada para estancar hemorragias que podem ocorrer na sequência de um procedimento de biopsia cervical ou retirada de pólipo.


Lesão (mancha) causada pelo HPV no colo do útero




A cauterização do colo uterino é um procedimento ambulatorial que é realizado rotineiramente no consultório do médico e demora apenas poucos minutos. Dependendo do método escolhido e da lesão, não requer anestesia. O método escolhido (elétrica, congelamento ou química) depende da experiência do médico, da disponibilidade de equipamentos necessários e da extensão e localização da lesão. Muitas vezes a paciente deve usar um creme vaginal cicatrizante e deve-se abster de relações sexuais durante algum tempo, de acordo com cada caso.





Saiba mais    

Palavras-chave: cauterização, colo uterino, eletro-cauterização, crio-cauterização, ectopia, ectrópio, HPV.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sayana – muito prazer




Lançado recentemente no Brasil o anticoncepcional injetável Sayana, é nada mais nada menos que o Depo-Provera© já existente (acetato de medroxiprogesterona), apenas com a grande diferença que o Sayana pode ser autoaplicável, ou seja, a própria paciente pode aplicar em si a injeção, por via subcutânea, na parte anterior da coxa ou abdômen.

A dose é também um pouco diferente (160mg/mL) contra os 150 mg/mL do Depo-Provera. As aplicações devem serem feitas a cada 13 semanas (+/- 7 dias)

A indicação é contracepção e controle da endometriose. Como contraceptivo ele tem cerca de 99,5% de eficácia.

As contraindicações são as mesmas:

Em mulheres com hipersensibilidade conhecida ao AMPD ou a qualquer um dos seus excipientes.
Em caso de gravidez
Em mulheres com malignidade conhecida ou suspeita da mama ou dos órgãos genitais.
Em mulheres com sangramento vaginal não diagnosticado.
Em mulheres com insuficiência hepática grave.
Em mulheres com doença óssea metabólica.
Em mulheres com doença tromboembólica ativa e em pacientes com história atual ou pregressa de doença cerebrovascular.









Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Colocar o DIU dói?


Existem duas condições a serem consideradas:

   Mulheres sem filhos (nulíparas)

  Mulheres com filhos (multíparas)

Nas nulíparas o canal cervical é geralmente mais estreito do que naquelas que já tem algum filho. Isso pode acarretar maior dificuldade para o médico colocar o DIU e mais desconforto e dor para a paciente no ato da inserção. Essa diferença é estatisticamente comprovada. Essa dificuldade pode também ser devida ao diâmetro do tubo de inserção, que varia entre os vários modelos de DIU.


Corte de útero mostrando canal cervical estreitado



Nas mulheres que já tiveram filhos, ao contrário, o desconforto é bem menor, com raras exceções.
Evidente que fatores psicológicos e emocionais podem afetar a sensação de dor, por isso, deve-se transmitir bastante calma no ato de inserção, o qual deve ser feito com delicadeza e após farta orientação sobre o procedimento.

Procurar sempre colocar o DIU ou Mirena no período menstrual, quando o canal cervical se dilata um pouco, para a saída da menstruação.

Um analgésico antes da inserção é também muito útil na diminuição da dor no procedimento.

ANESTESIA

Nas mulheres com filhos a anestesia pode ser opcional, mas nas nulíparas é obrigatória

Primeiramente, local, com gel ou spray, por que o colo do útero precisa ser pinçado, para que o DIU fique bem colocado.

Em segundo lugar, um bloqueio anestésico no colo uterino (anestesia paracervical). A passagem do aplicador pelo canal cervical pode gerar intensas cólicas e também um reflexo vaso-vagal (vide em próximas postagens).



MODELO DE APARELHO DE TENS


Além dos procedimentos anteriores, nós utilizamos um recurso que alia a tecnologia com princípios da medicina chinesa. Usamos o aparelho TENS, também conhecida por neuroestimulação elétrica transcutânea, que é um método eficaz, seguro e não invasivo de tratamento de dores crônicas e agudas, sem que seja necessário o uso de medicamentos. O seu mecanismo fisiológico de analgesia depende da modulação da corrente aplicada à região alvo, ou seja, se forem aplicados impulsos elétricos de baixa frequência e alta intensidade, são liberadas endorfinas pelo cérebro ou medula, que são substâncias com efeitos semelhantes à morfina, levando assim ao alívio da dor. Se forem aplicados impulsos elétricos com frequência alta e baixa intensidade, a analgesia ocorre devido a um bloqueio dos sinais nervosos de dor que não são enviados ao cérebro. Utilizamos os eletrodos do TENS nos pontos energéticos usados na acupuntura, que promovem uma analgesia na região pélvica e uterina.




O resultado é um alívio acentuado das cólicas, dores e incômodos no ato da aplicação do DIU, seja ele Mirena ou de cobre.

Após a inserção é normal a presença de discretas cólicas e sangramento nos primeiros dias. Essas cólicas são controladas com medicações por via oral.

Palavras-chave: DIU, Mirena, inserção de DIU, dor, cólica, nulípara, nuligesta, canal cervical, anestesia, paracervical, TENS, acupuntura.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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