segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sayana – muito prazer




Lançado recentemente no Brasil o anticoncepcional injetável Sayana, é nada mais nada menos que o Depo-Provera© já existente (acetato de medroxiprogesterona), apenas com a grande diferença que o Sayana pode ser autoaplicável, ou seja, a própria paciente pode aplicar em si a injeção, por via subcutânea, na parte anterior da coxa ou abdômen.

A dose é também um pouco diferente (160mg/mL) contra os 150 mg/mL do Depo-Provera. As aplicações devem serem feitas a cada 13 semanas (+/- 7 dias)

A indicação é contracepção e controle da endometriose. Como contraceptivo ele tem cerca de 99,5% de eficácia.

As contraindicações são as mesmas:

Em mulheres com hipersensibilidade conhecida ao AMPD ou a qualquer um dos seus excipientes.
Em caso de gravidez
Em mulheres com malignidade conhecida ou suspeita da mama ou dos órgãos genitais.
Em mulheres com sangramento vaginal não diagnosticado.
Em mulheres com insuficiência hepática grave.
Em mulheres com doença óssea metabólica.
Em mulheres com doença tromboembólica ativa e em pacientes com história atual ou pregressa de doença cerebrovascular.









Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

© Todos os direitos reservados


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Colocar o DIU dói?


Existem duas condições a serem consideradas:

   Mulheres sem filhos (nulíparas)

  Mulheres com filhos (multíparas)

Nas nulíparas o canal cervical é geralmente mais estreito do que naquelas que já tem algum filho. Isso pode acarretar maior dificuldade para o médico colocar o DIU e mais desconforto e dor para a paciente no ato da inserção. Essa diferença é estatisticamente comprovada. Essa dificuldade pode também ser devida ao diâmetro do tubo de inserção, que varia entre os vários modelos de DIU.


Corte de útero mostrando canal cervical estreitado



Nas mulheres que já tiveram filhos, ao contrário, o desconforto é bem menor, com raras exceções.
Evidente que fatores psicológicos e emocionais podem afetar a sensação de dor, por isso, deve-se transmitir bastante calma no ato de inserção, o qual deve ser feito com delicadeza e após farta orientação sobre o procedimento.

Procurar sempre colocar o DIU ou Mirena no período menstrual, quando o canal cervical se dilata um pouco, para a saída da menstruação.

Um analgésico antes da inserção é também muito útil na diminuição da dor no procedimento.

ANESTESIA

Nas mulheres com filhos a anestesia pode ser opcional, mas nas nulíparas é obrigatória

Primeiramente, local, com gel ou spray, por que o colo do útero precisa ser pinçado, para que o DIU fique bem colocado.

Em segundo lugar, um bloqueio anestésico no colo uterino (anestesia paracervical). A passagem do aplicador pelo canal cervical pode gerar intensas cólicas e também um reflexo vaso-vagal (vide em próximas postagens).



MODELO DE APARELHO DE TENS


Além dos procedimentos anteriores, nós utilizamos um recurso que alia a tecnologia com princípios da medicina chinesa. Usamos o aparelho TENS, também conhecida por neuroestimulação elétrica transcutânea, que é um método eficaz, seguro e não invasivo de tratamento de dores crônicas e agudas, sem que seja necessário o uso de medicamentos. O seu mecanismo fisiológico de analgesia depende da modulação da corrente aplicada à região alvo, ou seja, se forem aplicados impulsos elétricos de baixa frequência e alta intensidade, são liberadas endorfinas pelo cérebro ou medula, que são substâncias com efeitos semelhantes à morfina, levando assim ao alívio da dor. Se forem aplicados impulsos elétricos com frequência alta e baixa intensidade, a analgesia ocorre devido a um bloqueio dos sinais nervosos de dor que não são enviados ao cérebro. Utilizamos os eletrodos do TENS nos pontos energéticos usados na acupuntura, que promovem uma analgesia na região pélvica e uterina.




O resultado é um alívio acentuado das cólicas, dores e incômodos no ato da aplicação do DIU, seja ele Mirena ou de cobre.

Após a inserção é normal a presença de discretas cólicas e sangramento nos primeiros dias. Essas cólicas são controladas com medicações por via oral.

Palavras-chave: DIU, Mirena, inserção de DIU, dor, cólica, nulípara, nuligesta, canal cervical, anestesia, paracervical, TENS, acupuntura.


Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

COMO PREVENIR CICATRIZES HIPERTRÓFICAS E QUELOIDE?



Não adianta. Todo corte leva a uma cicatrização, que, dependendo do organismo pode ficar muito feia. São as cicatrizes hipertróficas e os queloides. Depende em parte da predisposição genética, mas, embora você não consiga controla-las, você pode controlar seu estilo de vida. Evite fumar e beber álcool antes e depois da cirurgia, pois essas coisas enfraquecem seu sistema imunológico geral, bem como a capacidade do corpo de se curar. Faça uma dieta adequada e faça exercícios moderados para evitar ganhar peso antes da cirurgia. Cuidar adequadamente de si e do seu corpo quando você é jovem pode prevenir doenças e colocá-lo em uma posição melhor para se curar mais rapidamente após qualquer cirurgia inevitável que você possa enfrentar.

CICATRIZ HIPERTRÓFICA



O melhor tratamento para essas cicatrizes é a prevenção. Sendo assim, quando colocar uma prótese mamária, quando fizer alguma outra cirurgia e mesmo em caso de feridas acidentais, previna-se para depois não arrepender. Lembre-se que a cicatriz vai acompanha-la para sempre.
Manter a ferida limpa, úmida e coberta durante todo o processo de cicatrização evitará infecção e favorecerá a boa cicatrização. As feridas curam melhor em ambientes úmidos. Evite usar água oxigenada ao limpar a ferida, pois isso retarda o processo de cura, destruindo glóbulos brancos que ajudam a reparar feridas.


Dependendo do tipo de cicatriz, massageá-la a partir de duas semanas após a cirurgia pode ser benéfico.

FITA DE SILICONE



Uma vez que sua ferida esteja totalmente curada, use fitas de silicone para reduzir a altura e a densidade da cicatriz. As fitas de silicone são uma forma comprovada de restaurar a sua cicatriz descolorida a uma cor normal da pele, reduzindo assim a sua visibilidade. Cobrir a cicatriz com fitas de silicone ajuda a achatá-la, devolvendo-a à sua cor natural e textura. Tratamento de fitas de silicone é medicamente comprovado para reduzir o tamanho e a textura de suas cicatrizes.

Palavras-chave: cicatriz hipertrófica, queloide, fita de silicone

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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terça-feira, 23 de outubro de 2018

O que é endometrioma?


Endometriomas são cistos ovarianos decorrentes da endometriose. São altamente comuns e podem estar presentes em até 30-40% das mulheres com a doença.



Essas massas císticas podem variar de tamanho e são compostas de detritos menstruais, incluindo fragmentos de tecido endometrial, sangue espessado e enzimas inflamatórias. Esses chamados "cistos de chocolate", podem se romper de forma aguda, causando derramamento e aderência de seus conteúdos às paredes e órgãos próximos dentro da cavidade abdominal.

SINTOMAS

Eles podem causar dor pélvica abdominal. Aliás, todas as formas de endometriose podem estar associadas a dor significativa, dor na relação sexual, infertilidade e diminuição da qualidade de vida da mulher.

DIAGNÓSTICO

Baseados nas queixas, o ginecologista pode sentir os endometriomas maiores no toque vaginal. A confirmação se dará pelo US ou Ressonância Magnética, e na própria cirurgia.

TRATAMENTO


O tratamento para o endometrioma ovariano é a sua remoção cirúrgica, geralmente por laparoscopia. A remoção do cisto ovariano deve ser feita com precisão, sem comprometer o suprimento vascular ovariano. No entanto, infelizmente, após a retirada do endometrioma as pacientes são propensas a ter função ovariana diminuída devido à perda de folículos ovarianos.

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

OUTUBRO ROSA - CÂNCER DE MAMA


FIQUEM ATENTAS

É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma.

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico.

Infelizmente são previstos cerca de 60 mil novos casos em 2018 no Brasil, com mais de 15 mil mortes.



FATORES DE RISCO

ü  IDADE

Quanto maior a idade, maior o risco, especialmente depois dos 50 anos

ü  HISTÓRIA REPRODUTIVA

Primeira menstruação precoce e menopausa tardia (acima 55anos)
Ter primeiro filho acima de 30 anos
Não amamentar

ü  MAMAS DENSAS

Isto acontece devido a maior dificuldade de diagnóstico da câncer

ü  HISTÓRIA FAMILIAR

Casos de câncer de mama em parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) ou múltiplos casos em outros parentes

ü  MUTAÇÕES GENÉTICAS

Portadoras de mutações do BRCA1 e BRCA2 têm um maior risco do câncer de mama e dos ovários

ü  RAIOS X

Excesso de exposição, inclusive mamografias.

ü  FALTA DE ATIVIDADE FÍSICA       
   
A atividade física diminui a incidência de câncer de mama

ü  DIETA 

Excesso de gorduras e carne vermelha estão associados a um aumento na sua incidência, assim como excesso de bebidas alcoólicas

ü  EXCESSO DE PESO E OBESIDADE

Principalmente após a menopausa

ü  USO DE HORMÔNIOS

O uso de reposição hormonal e mesmo anticoncepcionais orais podem aumentar ligeiramente o risco de câncer de mama. No entanto, considerando outros tipos de câncer (endométrio e ovários), as pílulas anticoncepcionais protegem.

FONTES


Prof. Antônio Aleixo Neto
Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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terça-feira, 2 de outubro de 2018

DIU de cobre no pós-parto

 

Lançado recentemente no Brasil, O DIU Andalan Classic Pós-Parto veio preencher uma lacuna no Planejamento Familiar. Ele é o mesmo DIU T de cobre 380A, mas com aplicador adaptado para a inserção no pós-parto, cesárea ou mesmo aborto.

DIU pós parto1

Ele tem várias vantagens:

 

  • O colo uterino está dilatado depois do parto. Nenhum incômodo na inserção.
  • Pode ser colocado facilmente logo após a cesariana, antes de se fechar a incisão
  • A paciente já sai do hospital com um método seguro e prático
  • Excelente custo/benefício
  • Ótima opção para maternidades públicas com grande número de partos
  • As pacientes que colocam o DIU no pós-parto são mais assíduas na consulta de pós-parto
  • Embora tenha taxa de expulsão maior, na revisão pós-parto pode ser inserido um outro dispositivo facilmente

Palavras-Chave: DIU, dispositivo intrauterino, DIU de cobre, DIU no pós-parto, pós-parto

Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
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