sexta-feira, 21 de julho de 2017

Tenho mais de 65 anos. Não preciso mais fazer exame de prevenção do câncer?




Isto mesmo. Estamos nos referindo ao exame de prevenção do câncer do colo do útero. Simplesmente interromper após os 65 anos.

Lembramos que, a Medicina hoje não pode ser mais exercida na base do “eu acho”, por parte do médico e por “eu quero”, por parte das pacientes. Hoje, a melhor prática chama-se “Medicina Baseada em Evidências”. Ou seja, baseada em pesquisas, em trabalhos sérios e revisões sistemáticas. Só então são publicados os protocolos e diretrizes com documentos oficiais de várias entidades nacionais e internacionais, que os médicos deveriam seguir.

Pois bem. É um consenso unânime das maiores entidades científicas mundiais: Sociedade Americana do Câncer, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, Força-Tarefa dos Serviços Preventivos dos EUA, Instituto Nacional do Câncer e Ministério da Saúde (Brasil), Organização Mundial de Saúde e outras tantas. Para estas entidades e outras pelo mundo afora não há dúvida: após os 65 anos, há pouca vantagem adicional para rastreios anuais de rotina para mulheres de baixo risco com história de esfregaços negativos e sem história de câncer ou lesões pré-cancerosas no colo do útero.



Mas, atenção: vale apenas para mulheres com relacionamento monógamos e com história de pelo menos três exames normais nos últimos 10 anos.
Assim, milhões de mulheres poderão parar de fazer o teste anual de Papanicolau.
As mulheres mais velhas, verdadeiramente em risco, são aquelas que não receberam rastreio regular, cujo último exame de Papanicolau pode ter sido há muitos anos ou quem nunca teve um.
Outro exemplo em que não precisa mais fazer prevenção do câncer do colo do útero são as mulheres que tiveram uma histerectomia total (remoção do útero e do colo do útero), a menos que a histerectomia tenha sido realizada como tratamento para câncer cervical ou pré-câncer. As que retiraram o útero devido a miomas, adenomiose, hemorragias, etc., não precisam mais fazer o exame. Já as mulheres que tiveram uma histerectomia sem remoção do colo do útero (chamada histerectomia supra cervical) devem continuar a triagem do câncer cervical de acordo com as diretrizes acima.

Após os 65 anos as mulheres devem se concentrar na prevenção das doenças cardiovasculares, que são a causa número um de morte em todo o planeta. No mundo inteiro, mais de 17 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças cardiovasculares. No Brasil cerca de 350 mil por ano.trombosis2-cópia
Até a menopausa, as mulheres são menos afetadas por estas doenças, mas depois, se igualam aos homens. Portanto, devem cuidar dos níveis de colesterol, da pressão arterial, dos níveis de açúcar no sangue. Ter hábitos de vida e alimentação saudáveis, fazer atividades físicas e controlar o peso. A obesidade é um dos maiores riscos para as doenças cardiovasculares.

Outra doença que as mulheres devem se cuidar é do câncer de mama. Sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. No Brasil são cerca de 60 mil novos casos por ano. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma. As mamografias devem continuar a serem feitas até os 75 anos de idade ou mais, dependendo do caso.
Em breve publicaremos uma postagem específica sobre câncer de mama.
Nosso conselho, é que as pessoas com mais de 65 anos devam fazer um controle com um geriatra. A geriatria nada mais é do que a especialidade médica que cuida das doenças mais prevalentes no envelhecimento e dos desdobramentos dessa fase da vida. O geriatra possui a formação de um clínico geral estando também apto a atender as doenças mais prevalentes desde a idade adulta e uma segunda especialização, nas doenças da terceira idade e nos desdobramentos do envelhecimento.

Palavras-chave: prevenção, câncer do colo uterino, Papanicolau, Medicina Baseada em Evidências, histerectomia, doenças cardiovasculares, câncer de mama, geriatria.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Master Public Health (Harvard University), Mestre em Ginecologia (UFMG).

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O fio do meu DIU sumiu! O que eu faço?


Todos os modelos de DIU, de cobre ou hormonais, têm um ou dois fios presos na sua ponta. A função deles é facilitar a sua remoção. Basta o médico puxa-los com uma pinça e o DIU é facilmente removido. Os fios são de nylon fino e não interferem na relação sexual. Geralmente após a inserção, os médicos os cortam e deixam apenas 2 cm para fora do colo do útero.

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No entanto, uma parte das usuárias de DIU são avisadas pelo médico, após algum exame, que os fios não estão visíveis na entrada do canal do colo do útero. Neste caso existem três possibilidades:
1. A mais comum é que o fio tenha se deslocado para dentro do canal cervical ou da cavidade uterina. Isto pode acontecer por que o útero tem contrações durante o ato sexual, exercendo uma força de sucção para dentro.
2. Outra possibilidade é que tenha havido perfuração uterina e que o DIU esteja na cavidade abdominal. Isto pode ser comprovado ou não através de um exame de ultrassom. Se já tiver feito o exame, não precisa ficar repetindo.
3. Por fim, existe a raríssima possibilidade do DIU ter sido expelido sem que a mulher não tenha reparado.


No caso em que os fios não estiverem visíveis com os DIUs dentro da cavidade uterina (a grande maioria dos casos); a usuária pode continuar usando normalmente. Não afeta em nada.
O problema será na remoção do DIU, o que algum dia terá que ser feita. Entre os instrumentos utilizados para isto, o mais conhecido é a “pinça de jacaré”, nome popularmente conhecido de uma pinça utilizada por otorrinolaringologistas para retirarem corpo estranho da laringe ou faringe.

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Esta pinça terá que ser introduzida no canal e tentar achar os fios ali. Caso não os encontre, a pinça terá que ser introduzida dentro da cavidade uterina para pegar o DIU diretamente e tracioná-lo.
Evidentemente, este é um processo doloroso e exige grande habilidade e experiência do médico. Utilizam-se analgésicos e anestésicos locais, mas eventualmente necessita analgesia em bloco cirúrgico.


Palavras-chave: DIU, fios do DIU, fios não visíveis, remoção do DIU, pinça de jacaré.


Dr. Antônio Aleixo Neto
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domingo, 2 de julho de 2017

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