quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O que são miomas?

 

Quase todo mundo já deve ter ouvido falar de miomas. Ah, minha mãe tem, minha tia teve que tirar o útero, etc.

Mioma uterino é um tumor benigno do musculo liso do miométrio, que é a parede do útero. Não se sabe por que ocorre, mas, é muito frequente: incide em cerca de 1/5 das mulheres. Entre os fatores de risco destacam-se a história familiar, mulheres afrodescendentes, obesidade e o baixo número de filhos. Para se ter uma ideia, uma mulher com dois filhos tem um risco diminuído pela metade em relação a outra sem filhos. Quanto maior a idade também maior o risco, até a chegada da menopausa.

A maioria das portadoras de miomas não apresentam sintomas, pelo menos durante certo tempo. São progressivos e dependerá do tamanho e da localização. O mais frequente é a menstruação com fluxo abundante, algumas vezes com coágulos. A dor talvez seja o menos frequente.

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O diagnóstico pode ser feito através do toque bi manual no exame ginecológico, confirmado e quantificado pela ultrassonografia.

O tratamento pode ser expectante, ou seja, observar seu desenvolvimento ao longo de determinado tempo. Para muitas mulheres poderá ser a melhor conduta, uma vez que após a menopausa o tamanho dos miomas tende a diminuir e geralmente são assintomáticos. Outras terão que fazer a miomectomia (retirada dos miomas) ou mesmo a histerectomia (retirada do útero). O DIU hormonal pode ser interessante para diminuir os sintomas e diminuir as chances de cirurgia, além de ser poderoso contraceptivo.

Em outras postagens escreveremos mais sobre aspectos específicos dos miomas uterinos. clip_image004

Palavras chave: mioma, leiomioma, hemorragia uterina.

Dr. Antônio Aleixo Neto

É verdade que o uso da pílula por tempo prolongado pode levar à infertilidade?

 

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Não. Tão logo o uso da pílula anticoncepcional é suspenso os ovários começam a voltar a funcionar e a usuária retorna à sua fertilidade anterior em um a dois meses. Até 30 anos de idade cerca de 80-90% engravidarão no prazo de um ano. Aquelas que não engravidarem é por que ela ou o parceiro já tinham algum problema não diagnosticado e não por causa do uso da pílula.

Palavras chave: pílula anticoncepcional, infertilidade, anticoncepcional oral.

Dr. Antônio Aleixo Neto

domingo, 12 de outubro de 2014

Editorial: Adolescência, sexualidade e contracepção

Nas últimas décadas grandes transformações sociais ocorreram no Brasil e no mundo, levando a uma mudança acentuada dos padrões de comportamento sexual, principalmente entre os adolescentes. O aconselhamento sexual das famílias e das escolas muitas vezes não acompanhou essas mudanças, ficando distanciado da realidade dos jovens. Resultado: apenas cerca de 1/3 dos jovens usaram algum método contraceptivo na primeira relação sexual, se expondo a uma gravidez indesejável ou a uma doença sexualmente transmissível, sendo que 80% iniciam a vida sexual antes dos 17 anos.
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A falta de informações e conhecimento, a dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, o pensamento mágico de que “nada vai dar errado”, o medo de a família descobrir, levam os adolescentes a este descuido perigoso. No entanto, isso não precisaria ser assim.
É importante saber que, em geral, as adolescentes podem usar quase todos os métodos contraceptivos e deveriam ter acesso fácil a várias opções. A idade em si não constitui uma razão médica para negar qualquer método às adolescentes. Muitos dos critérios de contraindicação que se aplicam a mulheres adultas não se aplicam às jovens.  Em verdade, as adultas são muito mais sujeitas a impedimentos ao uso de vários contraceptivos do que as adolescentes, devido à maior frequência de diversas condições, tais como: alterações cardiovasculares, hipertensão, varizes acentuadas, presença de tumores, diabetes, etc.
Os aspectos sociais e de conduta devem ser considerações importantes na escolha dos métodos anticoncepcionais nas adolescentes. A maior exposição a contágio de doenças sexualmente transmissíveis é um fato importante nessa faixa etária e nos impõe a indicação da dupla proteção: preservativo + outro método. Também tem sido exaustivamente mostrado que as jovens usuárias de pílulas anticoncepcionais têm uma tendência maior de esquecimento ou de interrupção do uso das mesmas, muitas vezes por motivos pouco importantes. Isto pode recomendar a indicação de métodos que não requerem uma tomada diária, tipo os métodos injetáveis. A escolha do método também pode ser influenciada por padrões de atividade sexual esporádica ou a necessidade de ocultar a atividade sexual e o uso de métodos contraceptivos.
Enfim, a educação e orientação sexual adequada é um grande desafio que implica em enfatizar a participação da família, das escolas, do sistema de saúde, dos meios de comunicação; para que se possa ajudar as adolescentes a encontrar as melhores soluções para suas aspirações e desejos, e a tomar decisões maduras e consistentes.
Dr. Antônio Aleixo Neto





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Como o Mirena® funciona?

 

Mirena com útero

Mirena® é um DIU hormonal em forma de T que, após a inserção dentro do útero, libera o hormônio levonorgestrel, que é similar à progesterona, um dos hormônios que a mulher produz nos ovários. Esta liberação acontece em doses muito baixas (20mcg/24h), pelo menos cinco vezes menor que nas pílulas anticoncepcionais orais. Este hormônio promove o afinamento da camada que reveste a cavidade uterina (endométrio) de forma que esta não fique suficientemente espessa para possibilitar gravidez, além de espessar e engrossar o muco cervical no canal cervical (abertura para o útero), de forma que o espermatozoide encontre um obstáculo para entrar no útero e fertilizar o óvulo. A presença física do Mirena associada à eliminação do levonorgestrel também inativa as propriedades reprodutivas do espermatozoide (alterações nos movimentos e na sua forma) impedindo que ele fecunde um óvulo. Portanto, a ação do Mirena® é mais local, embora eventualmente a ovulação possa ser inibida.

Palavras-chave: DIU hormonal, Mirena, Modo de ação.

Dr. Antônio Aleixo Neto