domingo, 29 de janeiro de 2017

Entenda melhor sobre trombose e o uso de pílula


Há algum tempo tem sido debatida exaustivamente nas redes sociais a questão do risco de trombose com o uso de pílulas anticoncepcionais.

Depoimentos de dramas pessoais são expostos com destaque na mídia eletrônica. Casos realmente tristes e comoventes. Só quem vivencia essas situações pode nos dizer o sofrimento de cada um.

No entanto, a ciência não pode apenas lidar com as emoções. É preciso analisar com profundidade todos os aspectos da questão. É importante tentar esclarecer as dúvidas que existem a respeito do uso de pílulas e o risco de trombose.

Primeiramente, devemos esclarecer que existem pílulas e “pílulas”. Elas não são iguais. Existem pílulas COMBINADAS e as MINIPÍLULAS. As combinadas têm dois hormônios: similares do estrogênio e da progesterona, naturais da mulher. As minipílulas só têm na composição um, similar da progesterona.


MINIPÍLULA





PÍLULA COMBINADA




Pois bem. O risco de trombose venosa só é maior nas PÍLULAS COMBINADAS, que são a maior parte das pílulas usadas em todo o mundo. Este risco é maior nos quatro primeiros meses de uso, reduzindo depois e mantendo-se estável.

Qual o risco? 2 a 5 vezes maior do que as não usuárias. No entanto, na gravidez e no pós-parto o risco é de cerca de 10 vezes maior. Como de um modo geral a mulher está usando a pílula para evitar uma gravidez, fica a pergunta: e então?




OUTRAS:

No Brasil, ocorrem cerca de 50 mortes por ano, decorrentes de trombose venosa, independentemente da causa. No entanto, são 500 mortes por ano de usuários de bicicleta.




Na França, 20 mortes são atribuídas por ano ao uso de pílulas combinadas.

Nos Estados Unidos, 450 pessoas morrem por ano por caírem da cama!

Uma viagem com mais de 4 horas de duração aumenta em 2 vezes o risco de trombose venosa. Se for de avião, o risco é ainda maior.

Outros riscos: obesidade, imobilização, traumatismos, cirurgias, idade, tabagismo e câncer.

Portanto, o risco individual de trombose é baixo e deve ser colocado em contraposição do risco de gravidez não desejada.

ATENÇÃO: o risco aumenta muito se a mulher tiver parentes de primeiro grau com história de trombose e outras doenças cardiovasculares, tais como infarto do miocárdio e AVC antes dos 45 anos. Portanto, nestes casos o uso das pílulas combinadas não é recomendável. Não há restrição para as minipílulas.


OUTRAS:

  • ·         Caso esteja prevista uma cirurgia de médio ou grande porte, as usuárias devem suspender o uso da pílula combinada com um mês de antecedência.


  • ·         Tabagismo e pílula definitivamente não combinam. Aumentam demais o risco de doenças cardiovasculares, especialmente se a usuária tiver mais de 35 anos.




Em mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal além de 35 (obesas) o risco de uso das pílulas combinadas é maior que os benefícios.
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Resumindo: o risco de trombose venosa nas usuárias de pílulas combinadas é um pouco aumentado nas mulheres que não têm outros fatores de risco associados, mas, os benefícios de seu uso na contracepção superam largamente estes riscos. As minipílulas não aumentam o risco de trombose venosa.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Palavras-chave: trombose, pílulas combinadas, minipílulas, contracepção.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“Ferida”do colo do útero

O que é “ferida”do colo do útero?

O colo do útero é a parte do mesmo que está situado no fundo da vagina. É a ponta do útero, como se fosse a ponta de uma pera. Através dele passa o canal cervical, que comunica o interior do corpo do útero (cavidade uterina) com a vagina. É por onde passa o sangue menstrual, e no parto normal, por onde passa o bebê. O canal cervical tem uma saída do lado da vagina e outra do lado de dentro da cavidade uterina. Elas são chamadas de orifícios externo e interno, respectivamente.

A chamada “ferida” do colo do útero é chamada de ectopia pelos médicos e significa apenas a saída do epitélio (tecido) que recobre o canal cervical para fora do orifício externo do colo, substituindo parte do epitélio natural do colo uterino. Este epitélio do canal é formado por tecido glandular e é rugoso e avermelhado, ao contrário do epitélio do colo uterino, que é liso e róseo, daí seu nome popular de “ferida”.

Em realidade esta ectopia não é uma doença e sim a presença de um tecido fora do seu local apropriado. A palavra ectopia vem do grego ecto (fora) e topos (lugar, local). Ela decorre principalmente da ação de um hormônio chamado estrogênio, que é natural da mulher, mas que é abundante, principalmente nas jovens, nas usuárias de pílulas e nas grávidas, daí sua maior prevalência nestes grupos.

Ectopia women Ectopia

Quais as consequências da ectopia?

Embora não seja uma doença a ectopia pode às vezes causar desconforto, como, por exemplo, um aumento de um corrimento claro e mucoso, parecendo clara de ovo (mucorréia). Este corrimento é causado pela ectopia por que o seu tecido fica irritado devido a acidez vaginal e tenta se cobrir com esta secreção para se proteger. Com o tempo, esta secreção em excesso poderá alterar o pH vaginal, o qual ficará menos ácido e favorecerá determinadas infecções vaginais. Como na ectopia o colo está mais exposto e sem a proteção natural de seu epitélio, também poderá ocorrer a penetração de germes e vírus (como o HPV) para dentro do colo e do útero. Outro sintoma é o sangramento após a relação sexual.

Ectopia   cisto naboth
A ectopia deve ser tratada?

Depende de cada caso. O médico deve ser criterioso e a opção pelo tratamento dependerá dos sintomas da paciente, do tamanho da ectopia, da idade e da presença de outras lesões associadas, entre outros fatores. Caso a alternativa escolhida seja o tratamento, ele poderá ser feito através de cauterização. 

Esta pode ser efetuada no próprio consultório através de equipamentos que produzem calor (eletro cautério), frio (criocautério) ou através do uso de determinadas substâncias ácidas ou cáusticas. A cauterização estimula a cicatrização e a reepitalização do tecido que está fora do lugar. O procedimento é geralmente pouco doloroso, mas pode ser oferecida anestesia local para as pacientes mais sensíveis.


Colo lacerado normal
Colo normal



Prof. Antônio Aleixo Neto