sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mirena® e Endometriose

A endometriose é uma doença que acomete muitas mulheres no período fértil de sua vida. Não se sabe sua causa, mas ela consiste na implantação do endométrio (camada que reveste o útero por dentro e que sai mensalmente na menstruação) fora do útero, por exemplo, nos ovários, na bexiga, no peritônio, etc.


O diagnóstico é difícil e a doença é suspeitada quando a mulher passa a sentir cólicas menstruais (quando não sentiam) ou estas pioram gradativamente. Também quando tem dores pélvicas e na relação sexual e tem dificuldades para engravidar. Portanto, muitas mulheres têm uma perda da qualidade de vida, devido os sintomas da endometriose. O diagnóstico definitivo é através da laparoscopia, uma cirurgia que introduz uma ótica e instrumentos através de pequenas incisões no abdome.

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento cirúrgico vai depender do estágio da doença, de sua localização e outros aspectos. Em muitos casos é feito na própria laparoscopia em que é feito o diagnóstico. O tipo tratamento clínico também dependerá de uma série de fatores que devem ser analisados com atenção, pelo médico e pela mulher. Ele pode preceder a cirurgia (para facilitar a mesma); pode complementar a cirurgia ou pode ser o único tratamento, dependendo de cada caso.

Um dos tratamentos clínicos mais utilizados, tanto previamente quanto depois da cirurgia é o acetato de gosserrelina 10,8mg, que é uma injeção cujo efeito perdura por três meses e que já é padronizada pelo SUS. No entanto, embora atue eficazmente nos focos de endometriose, este tratamento é temporário, devido aos efeitos colaterais, que são sintomas equivalentes aos da menopausa: ondas de calor, queda de cabelos, ressecamento vaginal, perda óssea, etc.

Outra opção que tem sido muito utilizada  é o DIU Mirena®. Ele pode ser utilizado para complementar a cirurgia ou, principalmente, para mulheres que não querem engravidar, no momento, e querem se livrar das dores e cólicas. O objetivo principal do seu uso é melhorar a qualidade de vida. Estudos efetuados na Unicamp e em outros países têm demonstrado uma melhora importante das dores pélvicas e das cólicas menstruais, além de diminuir ou interromper o fluxo sanguíneo da menstruação. Está sendo mostrado também, em alguns estudos, que o Mirena também estabiliza ou diminui o tamanho dos focos de endometriose além de diminuir as chances da doença voltar.

Devemos lembrar que a endometriose dificilmente se cura, mas pode ser controlada. O conhecimento desses efeitos benéficos -- além da contracepção --, que o Mirena apresenta, oferece uma nova arma no tratamento paliativo dos sintomas desagradáveis que a endometriose causa na mulher.





Palavras chave: Mirena, DIU hormonal, endometriose, cólicas, dor pélvica, gosserrelina.

Dr. Antônio Aleixo Neto

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

6 dúvidas sobre a pílula anticoncepcional




1) A pílula pode causar infertilidade se for tomada por muito tempo?

Não. O que acontece é que algumas mulheres ou seus parceiros já apresentavam algum problema anterior ao uso da pílula e não sabiam. Quando tentam engravidar é que descobrem a infertilidade e erradamente colocam a “culpa” na pílula. Exemplos: obstrução das trompas, deficiência de espermatozoides no parceiro, falta de ovulação, etc.
Outro ponto importante é que a idade média para a primeira gravidez está aumentando com o tempo. Hoje é muito comum a mulher ter a primeira gravidez acima dos 35 anos, quando a fertilidade já diminuiu cerca de 30%, contra 10% na faixa dos 20 anos.

2) O sangramento fora de época significa que a pílula está “fraca” para evitar a gravidez?

Não existe esta relação. A pílula pode estar fraca para controlar o ciclo menstrual, mas sua eficácia permanece a mesma. No entanto, cuidado! Algumas vezes estes escapes de sangramento podem significar esquecimento de tomada de alguma pílula, e aí, sim, podem ocorrer falhas.

3) Pode-se tomar a pílula continuamente, sem interromper?

Perfeitamente. No entanto, deve-se consultar o ginecologista para orientações gerais e a escolha da pílula mais adequada para este modo de uso.

4) Mulheres acima de 40 anos podem tomar pílulas?

Sim, desde que não tenham contraindicações. É preciso lembrar que nesta faixa etária são mais comuns problemas de saúde, tais como: pressão alta, obesidade, varizes, colesterol alto, diabetes; condições que podem impedir o uso das pílulas.

5) É preciso “descansar” de tomar a pílula de vez em quando?

Se a usuária da pílula estiver fazendo controles médicos periódicos e não tiver nenhum problema, pode continuar a toma-la sem nenhum problema..

6) A pílula pode ser tomada enquanto a mulher estiver amamentando?

Atenção: pode tomar a pílula com progesterona, mas não a pílula mais comum, combinada, com dois hormônios. Esta somente após seis meses do parto.

Palavras-chave: pílula, anticoncepcional, infertilidade.

Antônio Aleixo Neto













terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Alguns fatos sobre inserção do DIU

O dispositivo intrauterino, tanto de cobre quanto hormonal, é considerado um dos contraceptivos mais seguros, eficazes e práticos, existentes na atualidade. A eficácia do DIU é sempre superior a 99% e não depende da ação da usuária. É prático: uma vez inserido bastam revisões dentro de 40 dias, seis meses e um ano. Posteriormente somente revisões anuais. É de longa duração: no mínimo cinco anos e pode ser usado por qualquer mulher que não tenha contraindicações. Devido a estes e outros fatores o DIU tem sido cada vez mais procurado pelas mulheres, sendo hoje o método contraceptivo reversível mais usado em todo o mundo.


A inserção de um DIU ou endoceptivo, aparentemente simples, exige um profissional experiente e treinado e a observância de todos os cuidados necessários para tornar menor o risco de perfuração uterina, expulsões, sangramentos, cólicas e que permita um perfeito posicionamento do dispositivo dentro da cavidade uterina.

Qual o melhor época para se colocar um DIU?

O dispositivo intrauterino pode ser inserido em qualquer momento do ciclo desde que se tenha certeza que a mulher não esteja grávida.

Exemplos:

            Uma mulher está amamentando há três meses e sem menstruar precisa esperar menstruar para colocar o DIU?

            Não. Basta fazer o exame de sangue do Beta HCG para confirmar que não está grávida.

          Uma mulher está em uso da injeção trimestral e sem menstruar. Mesma conduta; fazer Beta HCG e inserir se for negativo.

Outras épocas interessantes para inserção do DIU:

1.            Após um abortamento espontâneo, logo após a curetagem.
2.            Cerca de 40 dias após o parto (em nossa opinião a melhor época)
No entanto, a inserção do DIU no período menstrual é importante nos casos em que o colo uterino está muito estreitado, como é o caso das nuligestas (mulheres sem filhos) e naquelas que estão na pré-menopausa, entre outros fatos, por que na menstruação ocorre uma dilatação do colo uterino.





A inserção do DIU incomoda?

Nas mulheres que já têm filhos e são mais jovens incomoda pouco, bastando um analgésico antes da inserção. Naquelas que tiveram cesarianas, tiveram filhos há muito tempo, que estejam na pré-menopausa ou que nunca tiveram filhos o incômodo pode ser maior, muitas vezes exigindo anestesia local e às vezes mesmo uso de analgesia, para maior conforto e segurança da paciente. É importante observar que resistência e movimentos bruscos da paciente, no momento da inserção, são fatores que podem prejudicar o perfeito posicionando do DIU dentro do útero.



Complicações da inserção

Reflexo vagal

Cerca de 10% das pacientes sentem níveis moderados ou agudos de dor. São as reações vasovagais – tais como suor, vômito ou desmaios breves.
Ocorre principalmente em nuligestas e canais cervicais mais fechados. Pode ser prevenido ou minimizado, com o uso de analgésicos antes da inserção e anestesia local ou mesmo sedação.

Perfuração uterina

Pode ocorrer em aproximadamente 1/1000 inserções. A experiência, a boa técnica de inserção, o uso de histerômetros descartáveis, pode diminuir esta possibilidade. As usuárias com fios perdidos ou não visíveis devem ser avaliadas por ecografia para se afastar esta possibilidade.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Palavras-chave: DIU, dispositivo intrauterino, endoceptivo, inserção de DIU, época inserção, anestesia, complicações da inserção, reflexo vagal.