quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Mirena® engorda?

Um dos problemas mais importantes e também mais controversos na nossa vida é o ganho de peso e a consequente obesidade e suas consequências. É um assunto extremamente complexo que envolve inúmeros fatores que se entrelaçam e afetam a nossa saúde: ingestão excessiva de alimentos (calorias), absorção dos alimentos, a falta ou deficiência de atividade física, o metabolismo individual, distúrbios hormonais, e por aí vai. No entanto, muitas vezes se esquece de que o ser humano foi desenvolvendo ao longo dos milênios uma alta capacidade armazenamento de energia (gordura). Só assim nossos antepassados sobreviviam a longos dias sem caça, alimentando-se apenas de pequenos frutos e sementes. Pela seleção natural, os melhores nesta capacidade sobreviveram e nós herdamos geneticamente este fator. Acontece que hoje a alimentação é geralmente farta -- embora não necessariamente saudável -- e a atividade física diminui cada vez mais. Resultado: as calorias sobram e vão se transformar em gordura, que é o melhor meio para seu armazenamento. A expectativa de vida também aumentou demais, já chegando aos 80 anos. A mulher sobrevive décadas após a menopausa e fica sujeita a inúmeras doenças que suas ancestrais nunca teriam. Na pré-história a expectativa de vida era de 30-40 anos. Poucos chegavam a mais do que isso. Não dava tempo de ter osteoporose, a maioria dos cânceres, artrose e obesidade...Hoje esta última pode ser já considerada uma epidemia mundial, ameaçando a saúde e bem estar de bilhões de pessoas.

E o Mirena®, como é que fica? Nós sabemos que determinados hormônios podem afetar o metabolismo, predispondo à perda ou ganho de peso. O DIU hormonal (Mirena®) libera o hormônio levonorgestrel (parecido com a progesterona) em doses entre 10 e 20mcg/24h, na cavidade uterina, durante cinco anos. Não libera estrogênio. Só para comparar, as pílulas mais vendidas do Brasil têm 150 mcg de levonorgestrel por comprimido, além de um estrogênio. Por isso, a dose liberada pelo Mirena® é considerada  mínima e além do mais, apenas uma pequena parte é absorvida pelo organismo, caindo na corrente sanguínea. Dessa forma, a maioria dos estudos não mostra um aumento de peso além do que é observado nos grupos de controle. É importante entender que os estudos científicos têm que ter estes grupos de controle, cujos componentes são similares ao grupo de estudo em tudo (faixa etária, sexo, hábitos, alimentação, etc) exceto no fator que está sendo analisado, no caso: o Mirena. Ah, mas minha vizinha engordou 3kg, fulana 4kg...! Isto não vale. Não foram controladas. Não se sabe que hábitos foram modificados, que alimentos ingeriram, se fazem atividade física regular e o MAIS importante: os anos se passaram. Isto mesmo. O tempo é cruel para a maior parte das pessoas, especialmente quanto ao ganho de peso. Uma determinada mulher que se casou há quatro anos poderá observar que neste período pode ter ganho alguns quilinhos. Provavelmente ela estará usando uma pílula e esta será erradamente considerada a "culpada". Se nossa amiga observar, a poucos metros dela achará o marido com uma bela cintura e também seus quilos a mais. 

É triste, mas é a realidade. Enfim, Mirena® não engorda, a vida sim...

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