quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Entrevista concedida à Revista Problemas Brasileiros, publicada pelo Sesc-SP.

 

Quando surgiu, a pílula era tão eficiente quanto é hoje para prevenir a gravidez?

· Não. Apesar de, na época, ter maior dosagem, a pílula era mais falha, devido à menor purificação química de seus hormônios.

Quais as principais transformações que a pílula anticoncepcional sofreu desde a década de 1960, quando foi criada, até hoje?

· Primeiramente a dosagem do componente estrogênico diminuiu em 10x. Ou seja, as pílulas tinham 150 mcg de estrogênio e hoje encontramos algumas que têm 15 mcg.

· Outro avanço foi o desenvolvimento de novos progestogênios, mais fisiológicos e também de menor dosagem.

· Por último, foram desenvolvidas vias alternativas para a administração de hormônios contraceptivos: injetáveis, anel vaginal e adesivo. Estas novas vias de administração têm algumas vantagens sobre as pílulas convencionais e podem ser uma opção muito interessante para quem tem determinadas contra-indicações ou efeitos colaterais com as mesmas.

Quais os benefícios que as pílulas atuais trazem para a saúde da mulher?

· Os principais benefícios além da contracepção são: abrandamento das cólicas menstruais e TPM, diminuição do fluxo menstrual, diminuição da incidência de anemia, diminuição da incidência de cistos ovarianos funcionais, diminuição da incidência de câncer do ovário e endométrio, melhora da acne e hirsutismo e tratamento paliativo da síndrome de ovários policísticos.

 A pílula propiciou diversas revoluções na condição feminina. Pode apontar quais as principais modificações, do seu ponto de vista?

· Sem dúvida, a revolução sexual. Pela primeira vez na história, a mulher pôde controlar sua fertilidade, independentemente do homem.

Há algum risco de se tomar anticoncepcional hoje em dia? Explique.

· Como todo medicamento, a pílula tem suas vantagens e suas contraindicações. As principais contraindicações da pílula combinada (a mais comum, com dois hormônios) são:

a. Doença coronariana e isquemia cerebral

b. Hipertensão arterial

c. Tabagismo acima de 35 anos

d. Antecedentes de trombose e/ou embolias

e. Uso junto com determinados medicamentos, diminuindo sua ação contraceptiva

f. Câncer de mama

Dr. Antônio Aleixo Neto

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