sábado, 5 de agosto de 2017

Morro de cólicas. Será Ovário Policístico?


Cólicas


Não, querida. A cólica menstrual não é um sintoma característico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

O sintoma mais característico de mulheres com SOP é a irregularidade menstrual ou mesmo falta de menstruação (amenorreia) como resultado da falta de ovulação. Por isso essa síndrome é mais apropriadamente chamada também de Síndrome Anovulatória. Embora algumas mulheres possam desenvolver micro cistos em seus ovários, outras não os terão. Este também não é um fator essencial para diagnóstico nem controle da SOP. Por isso, no exame de ultrassom alguns mostram e outros não.

Outros sintomas frequentes são:

Acne.

Acne facial

Alterações hormonais relacionadas aos andrógenos podem levar a problemas de acne. Outras alterações da pele, como o desenvolvimento de marcas de pele e manchas escuras da pele também estão relacionadas à SOP.

Hirsutismo

Hirsutismo

Crescimento ou engrossamento indesejado dos pelos. As áreas afetadas pelo crescimento excessivo do cabelo podem incluir o rosto, os braços, as costas, o peito, os polegares, os dedos dos pés e o abdômen. O hirsutismo relacionado à SOP deve-se a mudanças hormonais.

Queda de cabelo

Pode ocorrer uma perda de cabelos da cabeça, também devida às alterações hormonais.

Ganho de peso.

Cerca de metade das mulheres com SOP terá ganho de peso e obesidade.

Infertilidade.

A SOP é uma das principais causas da infertilidade feminina, já que a mulher não ovula ou ovula apenas ocasionalmente.


Ovulação Donnez



Palavras chaves: Síndrome dos ovários policísticos, SOP, Síndrome anovulatória, acne, infertilidade, hirsutismo, obesidade,


Dr. Antônio Aleixo Neto

Master Public Health (Harvard University), Mestre em Ginecologia (UFMG).


© Todos os direitos reservados

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Tenho mais de 65 anos. Não preciso mais fazer exame de prevenção do câncer?


Coleta Papanicolaou


Isto mesmo. Estamos nos referindo ao exame de prevenção do câncer do colo do útero. Simplesmente interromper após os 65 anos.

Lembramos que, a Medicina hoje não pode ser mais exercida na base do “eu acho”, por parte do médico e por “eu quero”, por parte das pacientes. Hoje, a melhor prática chama-se “Medicina Baseada em Evidências”. Ou seja, baseada em pesquisas, em trabalhos sérios e revisões sistemáticas. Só então são publicados os protocolos e diretrizes com documentos oficiais de várias entidades nacionais e internacionais, que os médicos deveriam seguir.

Pois bem. É um consenso unânime das maiores entidades científicas mundiais: Sociedade Americana do Câncer, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, Força-Tarefa dos Serviços Preventivos dos EUA, Instituto Nacional do Câncer e Ministério da Saúde (Brasil), Organização Mundial de Saúde e outras tantas. Para estas entidades e outras pelo mundo afora não há dúvida: após os 65 anos, há pouca vantagem adicional para rastreios anuais de rotina para mulheres de baixo risco com história de esfregaços negativos e sem história de câncer ou lesões pré-cancerosas no colo do útero.


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Mas, atenção: vale apenas para mulheres com relacionamento monógamos e com história de pelo menos três exames normais nos últimos 10 anos.

Assim, milhões de mulheres poderão parar de fazer o teste anual de Papanicolau.

As mulheres mais velhas, verdadeiramente em risco, são aquelas que não receberam rastreio regular, cujo último exame de Papanicolau pode ter sido há muitos anos ou quem nunca teve um.

Outro exemplo em que não precisa mais fazer prevenção do câncer do colo do útero são as mulheres que tiveram uma histerectomia total (remoção do útero e do colo do útero), a menos que a histerectomia tenha sido realizada como tratamento para câncer cervical ou pré-câncer. As que retiraram o útero devido a miomas, adenomiose, hemorragias, etc., não precisam mais fazer o exame. Já as mulheres que tiveram uma histerectomia sem remoção do colo do útero (chamada histerectomia supra cervical) devem continuar a triagem do câncer cervical de acordo com as diretrizes acima.

Após os 65 anos as mulheres devem se concentrar na prevenção das doenças cardiovasculares, que são a causa número um de morte em todo o planeta. No mundo inteiro, mais de 17 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças cardiovasculares. No Brasil cerca de 350 mil por ano.trombosis2-cópia

Até a menopausa, as mulheres são menos afetadas por estas doenças, mas depois, se igualam aos homens. Portanto, devem cuidar dos níveis de colesterol, da pressão arterial, dos níveis de açúcar no sangue. Ter hábitos de vida e alimentação saudáveis, fazer atividades físicas e controlar o peso. A obesidade é um dos maiores riscos para as doenças cardiovasculares.

Outra doença que as mulheres devem se cuidar é do câncer de mama. Sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. No Brasil são cerca de 60 mil novos casos por ano. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma. As mamografias devem continuar a serem feitas até os 75 anos de idade ou mais, dependendo do caso.

Em breve publicaremos uma postagem específica sobre câncer de mama.

Nosso conselho, é que as pessoas com mais de 65 anos devam fazer um controle com um geriatra. A geriatria nada mais é do que a especialidade médica que cuida das doenças mais prevalentes no envelhecimento e dos desdobramentos dessa fase da vida. O geriatra possui a formação de um clínico geral estando também apto a atender as doenças mais prevalentes desde a idade adulta e uma segunda especialização, nas doenças da terceira idade e nos desdobramentos do envelhecimento.


Palavras-chave: prevenção, câncer do colo uterino, Papanicolau, Medicina Baseada em Evidências, histerectomia, doenças cardiovasculares, câncer de mama, geriatria.


Dr. Antônio Aleixo Neto


Master Public Health (Harvard University), Mestre em Ginecologia (UFMG).


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sexta-feira, 14 de julho de 2017

O fio do meu DIU sumiu! O que eu faço?


Todos os modelos de DIU, de cobre ou hormonais, têm um ou dois fios presos na sua ponta. A função deles é facilitar a sua remoção. Basta o médico puxa-los com uma pinça e o DIU é facilmente removido. Os fios são de nylon fino e não interferem na relação sexual. Geralmente após a inserção, os médicos os cortam e deixam apenas 2 cm para fora do colo do útero.


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No entanto, uma parte das usuárias de DIU são avisadas pelo médico, após algum exame, que os fios não estão visíveis na entrada do canal do colo do útero. Neste caso existem três possibilidades:

1. A mais comum é que o fio tenha se deslocado para dentro do canal cervical ou da cavidade uterina. Isto pode acontecer por que o útero tem contrações durante o ato sexual, exercendo uma força de sucção para dentro.

2. Outra possibilidade é que tenha havido perfuração uterina e que o DIU esteja na cavidade abdominal. Isto pode ser comprovado ou não através de um exame de ultrassom. Se já tiver feito o exame, não precisa ficar repetindo.

3. Por fim, existe a raríssima possibilidade do DIU ter sido expelido sem que a mulher não tenha reparado.


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No caso em que os fios não estiverem visíveis com os DIUs dentro da cavidade uterina (a grande maioria dos casos); a usuária pode continuar usando normalmente. Não afeta em nada.

O problema será na remoção do DIU, o que algum dia terá que ser feita. Entre os instrumentos utilizados para isto, o mais conhecido é a “pinça de jacaré”, nome popularmente conhecido de uma pinça utilizada por otorrinolaringologistas para retirarem corpo estranho da laringe ou faringe.


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Esta pinça terá que ser introduzida no canal e tentar achar os fios ali. Caso não os encontre, a pinça terá que ser introduzida dentro da cavidade uterina para pegar o DIU diretamente e tracioná-lo.

Evidentemente, este é um processo doloroso e exige grande habilidade e experiência do médico. Utilizam-se analgésicos e anestésicos locais, mas eventualmente necessita analgesia em bloco cirúrgico.



Palavras-chave: DIU, fios do DIU, fios não visíveis, remoção do DIU, pinça de jacaré.



Dr. Antônio Aleixo Neto

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

8 COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE VAGINOSE BACTERIANA

Vaginose bacteriana é uma síndrome em que ocorre a substituição da flora bacteriana habitual da vagina -- onde predomina o Lactobacillus -- por uma flora poli microbiana que inclui: Gardnerella vaginalis, Prevotella, Mobiluncus, Mycoplasma, Atopobium vaginae e outros germes. Muitos chamam resumidamente de Gardnerella, por que esta bactéria é a mais presente nesta síndrome, mas, como vimos, não a única.

 

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1. O que causa a Vaginose?

Ainda não se sabe porque esta flora anormal passa a dominar o ecossistema vaginal em algumas mulheres e não em outras.

Entre os fatores predisponentes salientam-se:

· Mulheres com vida sexual ativa

· Mulheres com vários parceiros sexuais

· Baixa imunidade

· Mulheres com ectopia (“ferida”) do colo uterino

· Usuárias de DIUs de cobre

· Uso de ducha vaginal

As raças brancas e asiáticas são menos predispostas à vaginose bacteriana, assim como as usuárias de qualquer método contraceptivo hormonal.

 

2. A Vaginose Bacteriana é uma DST (Doença Sexualmente Transmissível)?

Uma pergunta que geralmente é feita sobre a Vaginose Bacteriana é se ela é contagiosa ou não. No momento, está ocorrendo uma importante mudança de paradigma. Sempre se achou que a vaginose teria a ver com atividade sexual, mas, que ela não seria transmitida sexualmente. No entanto, tem surgido trabalhos modernos, com estudos baseados em métodos DNA e PCR, mostrando que o parceiro da mulher portadora da vaginose bacteriana possui geralmente a mesma flora que ela, na pele do pênis e na uretra. Isto inclui a Gardnerella vaginalis com biofilme, além de outras bactérias causadoras da vaginose.

A resposta então, é que, baseada nas últimas evidências científicas é que pode ser transmissível. O homem não tem a doença. Ele não sente nada. Mas, pode adquirir a flora contaminante da mulher e retransmiti-la.

 

 

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3. Quais os sintomas mais frequentes?

O mais comum é um corrimento acinzentado/amarelado com forte odor, geralmente descrito como corrimento com cheiro de peixe. Este corrimento vaginal com mau cheiro costuma piorar após relação sexual. A vaginose não costuma dar coceira e ardor.

4. Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico da vaginose bacteriana é baseada no conjunto de sintomas e achados laboratoriais. Se você tem queixas de corrimentos, o ginecologista fará um exame ginecológico completo e eventualmente fará alguns testes das secreções. Na vaginose há um teste simples, feito no próprio consultório, que consiste na adição de hidróxido de potássio 10% na secreção vaginal para aumentar a liberação do característico cheiro forte de peixe.

5. A Vaginose Bacteriana é comum?

É muito comum. É a maior causa de corrimento entre as mulheres em idade fértil. Nos EUA estima-se que 21 milhões de mulheres adquiram esta síndrome por ano.

 

 

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6. A vaginose bacteriana é perigosa?

Para mulheres gestantes sim, por que aumenta a incidência de partos prematuros, que é uma das maiores complicações que pode ocorrer na gravidez.

 

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A vaginose bacteriana tem uma ação pró inflamatória e assim facilita o contágio de outras doenças, tais como gonorreia, clamídia, doença inflamatória pélvica, HPV e mesmo o HIV, devido à diminuição da flora vaginal normal, que tem função protetora.

 

7. O tratamento é complicado?

Não. É até simples, podendo ser feito por medicamentos por via oral, vaginal ou associados.

 

 

 

8. Por que então é tão frequente a recidiva?

Principalmente pelo fato de ser uma síndrome com grande diversidade de germes causadores. Alguns são sensíveis a determinados antibióticos e outros não. Desta forma, os tratamentos prescritos podem não eficientes para todos.

Outro fator é que alguns dos germes causadores produzem o que chamamos de “ biofilme ”, que é como se fosse uma redoma de vidro que isola o germe do meio ambiente, impedindo a ação dos antibióticos.

Finalmente, não se costumava tratar o parceiro da mulher portadora de vaginose bacteriana. Mas, como a hipótese de transmissibilidade agora é aceita, o tratamento do parceiro é imperativo e deve diminuir – em muito – a recorrência ou recidiva da vaginose bacteriana.

 

Palavras-chave: vaginose bacteriana, Gardnerella vaginalis, DST, biofilme.

Dr. Antônio Aleixo Neto

©Todos os direitos reservados

Contato: antonioaleixoneto@gmail.com

sábado, 20 de maio de 2017

O Mirena engorda?

Um dos problemas mais importantes e também mais controversos na nossa vida é o ganho de peso e a consequente obesidade e suas consequências. É um assunto extremamente complexo que envolve inúmeros fatores que se entrelaçam e afetam a nossa saúde: ingestão excessiva de alimentos (calorias), absorção dos alimentos, a falta ou deficiência de atividade física, o metabolismo individual, distúrbios hormonais, e por aí vai. No entanto, muitas vezes se esquece de que o ser humano foi desenvolvendo ao longo dos milênios uma alta capacidade armazenamento de energia (gordura). Só assim ele sobrevivia a longos dias sem caça, alimentando-se apenas de pequenos frutos e sementes. Os melhores nesta capacidade sobreviveram e nós herdamos geneticamente este fator.

 

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Acontece que hoje a alimentação é geralmente farta -- embora não necessariamente saudável -- e a atividade física diminui cada vez mais. Resultado: as calorias sobram e vão se transformar em gordura. A expectativa de vida também aumentou demais, já chegando aos 80 anos. A mulher sobrevive décadas após a menopausa e fica sujeita a inúmeras doenças que suas ancestrais nunca teriam. Na pré-história a expectativa de vida era de 30-40 anos. Poucos chegavam a mais do que isso. Não dava tempo de ter osteoporose, a maioria dos cânceres, artrose e obesidade...Hoje esta última pode ser já considerada uma epidemia mundial, ameaçando a saúde e bem estar de bilhões de pessoas.

E o Mirena, como é que fica? Nós sabemos que determinados hormônios podem afetar o metabolismo, predispondo à perda ou ganho de peso. O DIU hormonal (Mirena) libera o hormônio levonorgestrel (parecido com a progesterona) em doses entre 10 e 20mcg/24h, na cavidade uterina, durante cinco a sete anos. Não libera estrogênio. Só para comparar, as pílulas mais vendidas do Brasil têm 150mcg de levonorgestrel por comprimido, além de um estrogênio. Por isso, a dose liberada pelo Mirena é considerada mínima e além do mais apenas uma pequena parte é absorvida pelo organismo, caindo na corrente sanguínea.

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É triste, mas é a realidade. Enfim, Mirena não engorda; a vida sim...

domingo, 16 de abril de 2017

O que significa mancha branca no colo do útero?

As manchas brancas que aparecem no exame colposcópicos do colo uterino são lesões decorrentes de cervicite crônica (inflamação crônica do colo), geralmente sem significado clínico importante, ou então, lesões causadas pelo HPV, que têm importância variável, dependendo do tipo de imagem.

Elas só aparecem no exame através de um colposcópio (aparelho binocular de grande aumento) após ser aplicado uma solução de ácido acético e solução iodada no colo. Este exame colposcópico permite verificar pequenas nuances de relevo, de extensão e coloração das imagens de maneira que se pode inferir o grau de importância e gravidade da mesma. Dependendo dos achados, o ginecologista poderá recomendar um acompanhamento periódico, uma biópsia, uma cauterização ou até mesmo uma cirurgia.

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O exame colposcópico é um exame extremamente acurado e exige um ginecologista treinado na técnica. Geralmente é necessário fazer um curso de especialização em Colposcopia e Patologias do Trato Genital Inferior.

Veja alguns exemplos de “manchas brancas“ no colo uterino:

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Dr. Antônio Aleixo Neto

Rua Aimorés, 462/314 (31)3226-4914

Palavras-chave: manchas do colo uterino, colo uterino, colposcopia, cervicite, HPV.





domingo, 19 de fevereiro de 2017

Não têm filhos? Não quer hormônios? Saiba os DIUs mais indicados.

Os DIUs sem hormônios, geralmente de cobre, foram desenvolvidos na década de 70 e evoluíram muito com o decorrer do tempo. Todos têm como característica a alta eficácia e a praticidade, ou seja, coloque e esqueça

A usuária não precisa ficar se preocupando com tomadas diárias das pílulas, com interação medicamentosa, com efeitos de hormônios, com aumento de peso, etc. O DIU está colocado e pronto. Têm longa duração e exigem uma manutenção mínima, com revisões anuais, exceto no primeiro ano de uso. 

Devido a estas qualidades os DIUs de cobre têm sido cada vez mais indicados pelos médicos e procurados por mulheres que não têm filhos (nulíparas) que querem um método eficaz e que não contenha hormônios.  No entanto, existem vários modelos de DIU de cobre. Qual o melhor para as essas mulheres?



No Brasil nós temos disponíveis os dispositivos intra-uterinos mais utilizados no mundo. Vejamos:


Da esquerda para direita:

Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Normal;

Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Mini;

Safe Cu 300;

T de Cobre 380 A.

Cada um tem suas particularidades. O T de cobre 380 A, é o DIU mais usado no Brasil e no mundo. Tem uma duração de 10 anos e tem uma ótima eficácia contraceptiva (como todos outros) de mais de 99%. É um DIU excepcional, mas não é o ideal para quem não tem filhos (nulíparas). Observem o tamanho da haste vertical: 36 mm.  É maior do que o comprimento da cavidade uterina de muitas nulíparas. Ou seja: não cabe. As hastes horizontais também são muito extensas, 32 mm, forçando as paredes laterais do útero. Sabe-se que 2/3 das nulíparas têm a largura da cavidade uterina de apenas 24 mm. Como consequência, geralmente causam mais efeitos colaterais, tais como; cólicas e hemorragias.

É necessário esclarecer que o útero de mulheres que já tiveram filhos é maior do que as mulheres que não tiveram. Daí a importância dessa relação geométrica entre o DIU e a cavidade uterina. 

O modelos com formato de "ferradura" como o Ômega 375, Optima 375 ou o Andalan Comfort 375, tamanho normal ou standard têm como característica uma menor taxa de deslocamento e sangramentos. Têm uma duração de cinco anos. São excelentes dispositivos intra-uterinos. O Multiload , o primeiro DIU desse formato, não está mais disponível no Brasil.

DIUs com formato em ferradura: tamanhos Mini e Normal


Para as mulheres que não têm filhos o ideal seria o Safe Cu 300 que também dura cinco anos e tem o aplicador mais fino de todos. Aplicador é o tubo que coloca o DIU dentro da cavidade uterina. O diâmetro é de apenas 3 mm, contra 4,5 mm do T de cobre. Ou seja; é mais fácil e menos doloroso para inserir em nulíparas, que geralmente têm o canal do colo do útero muito estreito e fechado.



Infelizmente, o Safe Cu 300 está indisponível no Brasil, no momento, aguardando renovação de registro na ANVISA há mais de um ano...

Apesar disso, temos boas opções para para mulheres que não têm filhos: os DIUs com formato de ferradura Ômega/Optima/Andalan Comfort 375, tamanho Mini, com haste vertical de apenas 28 mm e haste curva com largura de apenas 17 mm.

Resumindo: para mulheres que não têm filhos (nulíparas) as melhores indicações são: o Safe Cu 300 ou os DIUs Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Mini. 



Palavras-chave: DIU, dispositivo intra-uterino, T de cobre, Ômega 375 Mini, Optima 375 Mini, Andalan Comfort 375 Mini, Multiload, Safe Cu 300, Nulíparas.


Dr. Antônio Aleixo Neto 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O implante anticoncepcional é caro?

Que o Implanon® é o método mais eficaz entre todos muita gente já sabe. Que ele dura três anos também. Que é prático, nem se fala.

Implanon nos dedos

Lembremos também que este implante libera pequenas quantidades de um tipo de progesterona (etonorgestrel) diretamente na corrente sanguínea e, portanto, não aumenta o risco de trombose venosa como as pílulas combinadas. Pode ser usado em obesas, em mulheres que já tiveram trombose, em fumantes e hipertensas. Muito indicado em mulheres que sofrem com enxaqueca com aura e que, portanto, têm contraindicação para pílulas combinadas.

No entanto, o implante contraceptivo não é coberto pelos planos de saúde. Aí vem a questão:

É caro?

Levantamento do preço do implante + a inserção pelo médico verificou-se que o total fica em média entre R$ 1000,00 e R$ 1500,00. Isto significa um gasto entre R$ 0,91 a R$ 1,36 por dia, aos preços de fevereiro de 2017. Ou seja: menos que um cafezinho por dia.

Resumindo: é barato.

 

Palavras-chave: Implante, progesterona, etonorgestrel, custo.

 

Dr. Antônio Aleixo Neto

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O uso de antibióticos afeta a eficácia da pílula anticoncepcional?


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Esta é uma das dúvidas mais frequentes no dia-a-dia do ginecologista. Muito já se falou e se escreveu sobre os possíveis malefícios do uso concomitante de tetraciclinas, penicilinas, amoxicilinas e outros antimicrobianos com a pílula anticoncepcional. Hoje sabemos que o único antibiótico que efetivamente tira o efeito dos anticoncepcionais é a RIFAMPICINA. 

Este antibiótico é de uso restrito, principalmente em casos de tuberculose e hanseníase. No entanto, existem fórmulas em spray para machucados, que devem ser evitados.

Outro medicamento que pode afetar a ação das pílulas é a GRISEOFULVINA, que é um antifúngico, e não antibiótico. É utilizado para micoses de unha e pele.
Além dos dois citados acima, outros medicamentos também podem diminuir a eficácia da pílula. De um modo geral são anticonvulsivantes usados na epilepsia e disritmia cerebral:

· Fenitoína (Hidantal®)
· Barbitúricos (Gardenal®)
· Carbamazepina (Tegretol®)
· Primidona (Primid )

E o (antidepressivo natural):

· Hipérico ou Erva de São João 

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Estas informações são fornecidas pelo manual da Organização Mundial da Saúde:

Critérios Médicos de Elegibilidade Para Uso de Contraceptivos. Ele é considerado a “bíblia” para uso de todos os métodos contraceptivos.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, anticoncepcional, antibiótico, eficácia, anticonvulsivante.

Dr. Antônio Aleixo Neto










domingo, 29 de janeiro de 2017

Entenda melhor sobre trombose e o uso de pílula


Há algum tempo tem sido debatida exaustivamente nas redes sociais a questão do risco de trombose com o uso de pílulas anticoncepcionais.

Depoimentos de dramas pessoais são expostos com destaque na mídia eletrônica. Casos realmente tristes e comoventes. Só quem vivencia essas situações pode nos dizer o sofrimento de cada um.

No entanto, a ciência não pode apenas lidar com as emoções. É preciso analisar com profundidade todos os aspectos da questão. É importante tentar esclarecer as dúvidas que existem a respeito do uso de pílulas e o risco de trombose.

Primeiramente, devemos esclarecer que existem pílulas e “pílulas”. Elas não são iguais. Existem pílulas COMBINADAS e as MINIPÍLULAS. As combinadas têm dois hormônios: similares do estrogênio e da progesterona, naturais da mulher. As minipílulas só têm na composição um, similar da progesterona.


MINIPÍLULA





PÍLULA COMBINADA




Pois bem. O risco de trombose venosa só é maior nas PÍLULAS COMBINADAS, que são a maior parte das pílulas usadas em todo o mundo. Este risco é maior nos quatro primeiros meses de uso, reduzindo depois e mantendo-se estável.

Qual o risco? 2 a 5 vezes maior do que as não usuárias. No entanto, na gravidez e no pós-parto o risco é de cerca de 10 vezes maior. Como de um modo geral a mulher está usando a pílula para evitar uma gravidez, fica a pergunta: e então?




OUTRAS:

No Brasil, ocorrem cerca de 50 mortes por ano, decorrentes de trombose venosa, independentemente da causa. No entanto, são 500 mortes por ano de usuários de bicicleta.




Na França, 20 mortes são atribuídas por ano ao uso de pílulas combinadas.

Nos Estados Unidos, 450 pessoas morrem por ano por caírem da cama!

Uma viagem com mais de 4 horas de duração aumenta em 2 vezes o risco de trombose venosa. Se for de avião, o risco é ainda maior.

Outros riscos: obesidade, imobilização, traumatismos, cirurgias, idade, tabagismo e câncer.

Portanto, o risco individual de trombose é baixo e deve ser colocado em contraposição do risco de gravidez não desejada.

ATENÇÃO: o risco aumenta muito se a mulher tiver parentes de primeiro grau com história de trombose e outras doenças cardiovasculares, tais como infarto do miocárdio e AVC antes dos 45 anos. Portanto, nestes casos o uso das pílulas combinadas não é recomendável. Não há restrição para as minipílulas.


OUTRAS:

  • ·         Caso esteja prevista uma cirurgia de médio ou grande porte, as usuárias devem suspender o uso da pílula combinada com um mês de antecedência.


  • ·         Tabagismo e pílula definitivamente não combinam. Aumentam demais o risco de doenças cardiovasculares, especialmente se a usuária tiver mais de 35 anos.




Em mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal além de 35 (obesas) o risco de uso das pílulas combinadas é maior que os benefícios.
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Resumindo: o risco de trombose venosa nas usuárias de pílulas combinadas é um pouco aumentado nas mulheres que não têm outros fatores de risco associados, mas, os benefícios de seu uso na contracepção superam largamente estes riscos. As minipílulas não aumentam o risco de trombose venosa.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Palavras-chave: trombose, pílulas combinadas, minipílulas, contracepção.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“Ferida”do colo do útero

O que é “ferida”do colo do útero?

O colo do útero é a parte do mesmo que está situado no fundo da vagina. É a ponta do útero, como se fosse a ponta de uma pera. Através dele passa o canal cervical, que comunica o interior do corpo do útero (cavidade uterina) com a vagina. É por onde passa o sangue menstrual, e no parto normal, por onde passa o bebê. O canal cervical tem uma saída do lado da vagina e outra do lado de dentro da cavidade uterina. Elas são chamadas de orifícios externo e interno, respectivamente.

A chamada “ferida” do colo do útero é chamada de ectopia pelos médicos e significa apenas a saída do epitélio (tecido) que recobre o canal cervical para fora do orifício externo do colo, substituindo parte do epitélio natural do colo uterino. Este epitélio do canal é formado por tecido glandular e é rugoso e avermelhado, ao contrário do epitélio do colo uterino, que é liso e róseo, daí seu nome popular de “ferida”.

Em realidade esta ectopia não é uma doença e sim a presença de um tecido fora do seu local apropriado. A palavra ectopia vem do grego ecto (fora) e topos (lugar, local). Ela decorre principalmente da ação de um hormônio chamado estrogênio, que é natural da mulher, mas que é abundante, principalmente nas jovens, nas usuárias de pílulas e nas grávidas, daí sua maior prevalência nestes grupos.

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Quais as consequências da ectopia?

Embora não seja uma doença a ectopia pode às vezes causar desconforto, como, por exemplo, um aumento de um corrimento claro e mucoso, parecendo clara de ovo (mucorréia). Este corrimento é causado pela ectopia por que o seu tecido fica irritado devido a acidez vaginal e tenta se cobrir com esta secreção para se proteger. Com o tempo, esta secreção em excesso poderá alterar o pH vaginal, o qual ficará menos ácido e favorecerá determinadas infecções vaginais. Como na ectopia o colo está mais exposto e sem a proteção natural de seu epitélio, também poderá ocorrer a penetração de germes e vírus (como o HPV) para dentro do colo e do útero. Outro sintoma é o sangramento após a relação sexual.

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A ectopia deve ser tratada?

Depende de cada caso. O médico deve ser criterioso e a opção pelo tratamento dependerá dos sintomas da paciente, do tamanho da ectopia, da idade e da presença de outras lesões associadas, entre outros fatores. Caso a alternativa escolhida seja o tratamento, ele poderá ser feito através de cauterização. 

Esta pode ser efetuada no próprio consultório através de equipamentos que produzem calor (eletro cautério), frio (criocautério) ou através do uso de determinadas substâncias ácidas ou cáusticas. A cauterização estimula a cicatrização e a reepitalização do tecido que está fora do lugar. O procedimento é geralmente pouco doloroso, mas pode ser oferecida anestesia local para as pacientes mais sensíveis.


Colo lacerado normal
Colo normal



Prof. Antônio Aleixo Neto